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Tiroteio deixa moradores feridos durante ação contra braço do Comando Vermelho no RJ
Termômetro da Política
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A Zona Sul da capital fluminense foi palco de um intenso confronto na madrugada desta terça-feira (23). Uma ação da Polícia Civil voltada a desarticular o braço do Comando Vermelho (CV) no Morro Santa Marta resultou em tiroteios e explosões que assustaram moradores de Botafogo. Durante o tiroteio, um passageiro de um ônibus que transitava pela região foi atingido por uma bala perdida.

Ação da Polícia do Rio de Janeiro faz parte da Operação Contenção
Ação da Polícia do Rio de Janeiro faz parte da Operação Contenção (Foto: Divulgação/PCERJ)

A investida faz parte de um desdobramento da Operação Contenção, uma iniciativa estratégica do governo estadual focada em frear a expansão territorial e minar a estrutura financeira, logística e operacional da facção criminosa. Até o momento, a ação contabiliza quatro prisões. No total, a 26ª Vara Criminal da Capital expediu 44 mandados de prisão e 98 de busca e apreensão, sendo que oito dos alvos já se encontram no sistema penitenciário.

Madrugada de violência e impactos na região

Os primeiros disparos e relatos de explosões começaram por volta das 4h, coincidindo com a chegada das equipes policiais. O barulho das rajadas ecoou por diferentes pontos de Botafogo, e dezenas de viaturas ocuparam a Rua São Clemente, principal via de acesso à comunidade. A operação contou ainda com o suporte aéreo de pelo menos dois helicópteros.

Os reflexos do confronto foram sentidos além dos limites do morro:

  • Turistas ilhados: Um grupo de pessoas que subiu ao mirante localizado no topo da favela para acompanhar o nascer do sol acabou ficando preso no local devido ao risco dos disparos.
  • Danos materiais: Marcas de tiros ficaram visíveis em imóveis vizinhos ao morro, incluindo um prédio residencial e a Igreja Metodista.
  • Ferido no transporte público: Um homem que viajava em um coletivo da linha 410 (Saens Peña-Gávea) foi atingido na perna direita por uma bala perdida enquanto o veículo passava pela Rua São Clemente. Os próprios passageiros realizaram um torniquete improvisado na vítima, cuja identidade e estado de saúde ainda não foram divulgados.

Em nota, o sindicato Rio Ônibus manifestou forte descontentamento com o episódio:

“O Rio Ônibus repudia a rotina de extrema violência e insegurança que o setor vive na cidade. Casos como esse comprometem diretamente a vida e a segurança de passageiros e rodoviários. O transporte público precisa ser um ambiente seguro”, declarou o sindicato.

Comando à distância e estrutura investigada

Os alvos da ação foram mapeados após dois anos de apurações conduzidas pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), iniciadas em meados de 2024. A especializada mapeou 44 integrantes da organização no Santa Marta, divididos em funções como gerentes, seguranças armados, vendedores de entorpecentes e vigilantes das vias de acesso.

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As investigações apontam que o comando do tráfico na comunidade permanece sob a liderança de Ronaldo Pinto Lima e Silva, conhecido como Ronaldinho Tabajara ou R9. Mesmo custodiado no Presídio Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, ele segue transmitindo ordens para a localidade. O seu principal homem de confiança em liberdade na comunidade foi identificado como Francisco Rafael Dias da Silva, o Mexicano.

A Polícia Civil informou que os trabalhos investigativos não se encerram com os cumprimentos dos mandados de hoje:

“As investigações prosseguirão com a finalidade de identificar outros envolvidos, aprofundar a análise dos elementos arrecadados durante o cumprimento das medidas judiciais e promover a completa responsabilização penal dos integrantes da organização criminosa”, afirmou a delegacia.

O histórico da Operação Contenção

A Operação Contenção atua como uma barreira governamental de longo prazo contra as atividades do Comando Vermelho. Ao longo de suas diferentes etapas executadas no estado, a iniciativa já resultou na captura de mais de 360 criminosos e na morte de outros 137 em situações de confronto. O balanço das apreensões acumuladas em suas fases anteriores aponta o recolhimento de aproximadamente 480 armas — incluindo 190 fuzis — e de mais de 51 mil munições.

Com informações do portal g1.

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