O médico veterinário, pesquisador e professor universitário Marcos Barbosa Ferreira, de 54 anos, conhecido como “Marcão” ou “Doutor Carneiro”, morreu em acidente de trânsito na tarde de quarta-feira (22) na MS-080, em Rio Negro, a 153 quilômetros de Campo Grande. Ele conduzia o veículo que capotou várias vezes após derrapar e sair da pista. A mãe dele, Maria Helena Barbosa Ferreira, de 82 anos, também morreu no local.

Marcos foi professor do curso de Medicina Veterinária e do Programa de Mestrado Profissional em Agronegócio Sustentável da Uniderp, em Campo Grande. Também integrou o corpo docente do Programa de Mestrado e Doutorado em Biociência Animal da UNIC (Universidade de Cuiabá).
Há pouco mais de dois anos, o veterinário concedeu entrevista ao Campo Grande News em que revelou seu encanto pela natureza ao percorrer trecho da Avenida Ricardo Brandão. “Decidi fazer a caminhada para apreciar a natureza e ver essas espécies de pássaros pescadores. Observe o rio, ele possui pequenos barrancos e apresenta algumas folhas. Significa que a água possui oxigênio para os peixes. É interessante porque os rios urbanos, mesmo quando não jogamos lixo, a chuva traz o que está nas ruas para ele e acaba poluindo”, disse na ocasião, referindo-se ao Córrego Prosa.
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O professor havia se desligado recentemente da Uniderp, onde atuou na graduação, extensão e pesquisa. O reitor da universidade, Cristiano Cupertino, lamentou a perda em publicação. “Sua partida deixa um vazio imenso e um legado que permanecerá vivo em todos os que tiveram a oportunidade de aprender e trabalhar ao seu lado”, escreveu.
Formado em Medicina Veterinária pela UFMS em 1996, Marcos concluiu mestrado em Ciências, com ênfase em Toxicologia, em 2003, e doutorado na mesma área em 2008, ambos pela USP. Ao longo da carreira, consolidou-se como referência em Farmacologia e Toxicologia Veterinária, com pesquisas sobre toxicologia do desenvolvimento, plantas tóxicas e contaminantes ambientais. Também dedicou parte da produção científica à nutrição, manejo e clínica de ovinos, contribuindo para o desenvolvimento da agropecuária sustentável no Estado.
Além da atuação acadêmica, coordenou projetos de pesquisa e extensão no Centro Tecnológico de Ovinocultura da Fundação Manoel de Barros, trabalhando na caracterização e valorização do Grupo Genético Pantaneiro e em ações de apoio à agricultura familiar. Presidiu o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável de Campo Grande e integrava o Conselho Consultivo do Instituto Alma Pantaneira/Médicos do Pantanal.
A notícia da morte repercutiu entre ex-alunos, pesquisadores, produtores rurais e instituições ligadas ao agronegócio, que destacaram o legado deixado para a pesquisa científica, a sanidade animal e a preservação genética no Pantanal. Em publicação no Instagram, o Instituto Alma Pantaneira afirmou que Marcos era “dono de uma sabedoria admirável, de um coração alegre e estava sempre disposto a ajudar”. Segundo a instituição, “sua história continuará viva” e “seu nome será sempre lembrado”.
Ainda não foram divulgadas informações sobre o sepultamento dos dois.
Segundo o portal Idest, o automóvel derrapou sobre a pista, capotou diversas vezes e saiu da rodovia, parando apenas dentro de uma propriedade rural às margens da estrada. Equipes da Polícia Militar foram acionadas e encontraram as duas vítimas já sem vida.
Os policiais isolaram a área até a chegada da perícia e da Polícia Militar Rodoviária, responsáveis pelos levantamentos que vão apontar as circunstâncias da capotagem.
Com informações do portal Campo Grande News.