“Mayday, mayday. Vamos colidir contra o solo, 722 Bravo Delta.” A frase foi dita por Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, em comunicação desesperada com o controle de tráfego aéreo. “Mayday” é o sinal internacional de pedido de socorro por rádio usado em situações de risco iminente. Minutos antes ela havia reportado formação de gelo e turbulência moderada. “Agora estamos entrando em uma zona de precipitação”, acrescentou, ao pedir permissão para subir. Depois a aeronave começou a cair em alta velocidade. Na gravação ouve-se Nathalia dizer que o avião descia, em determinado momento, a “10 mil pés por minuto” (cerca de 3 mil metros por minuto). Em seguida declarou emergência: “Estamos em uma situação de excesso de velocidade e descendo a 20 mil pés por minuto”, gritou ela. Após alguns gritos, o controlador perguntou: “November 2 Bravo Delta, vocês me ouvem?”. Não houve resposta.

Nathalia era a copilota do jato particular que caiu no domingo (1) em área residencial de Greenacres, na Flórida, deixando nove mortos, conforme confirmado pela CBS News. Segundo o G1 e a CNN, ela é filha de brasileiros. Acumulava mais de 1.300 horas de voo e pilotava aviões desde antes de saber dirigir um carro; obteve a licença de piloto aos 17 anos. A família é brasileira, mas mora na Flórida, onde Nathalia nasceu. À CNN, a mãe Camila Gadelha Corteleti disse que a filha estava trabalhando no momento do acidente. “Ela era uma menina muito boa, responsável, esforçada. Estava trabalhando. Ela era copilota; não podia tomar nenhuma decisão”, afirmou.
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Em entrevista de 2023 a uma afiliada local da CBS News, Nathalia falou com orgulho de ter conseguido a licença ainda no ensino médio. “Gosto de ser diferente de todo mundo”, disse ela. “Algumas pessoas acham estranho que eu saiba pilotar aviões, mas não saiba dirigir um carro — quer dizer, até sei, mas muita gente acha isso engraçado.” A mãe Camila Corteleti disse ao New York Times nesta segunda-feira: “Ela amava a liberdade. Era algo completamente diferente ver o mundo lá de cima.” A BBC tentou contato com vários familiares para confirmar a identidade; uma das pessoas respondeu: “Não estou pronta para falar”. O Itamaraty ainda não foi procurado pela família e afirmou à BBC News Brasil que “permanece à disposição para prestar a assistência consular devida, caso solicitada”.
O avião decolou de Austin, no Texas, com destino às Bahamas, segundo comunicado da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA). O acidente ocorreu por volta das 14h50 em Brasília (12h50 no horário local), a cerca de 14 km de Mar-a-Lago, o resort do presidente Donald Trump no condado de Palm Beach. Naquela manhã de domingo Trump estava em Mar-a-Lago e deixou o local no Air Force One cerca de uma hora antes, decolando de um aeroporto próximo. Morreram os dois tripulantes e os sete passageiros; um homem que estava nas proximidades sofreu ferimento na perna.
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Vinte investigadores do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) chegaram na noite de domingo para apurar o ocorrido, informou Tom Chapman, membro do órgão. As condições meteorológicas e a turbulência foram fatores relevantes, e há indícios de que partes da aeronave começaram a se desprender antes do impacto com o solo; a causa ainda não foi determinada. O local da queda — uma cratera em uma via — está preenchido por água da chuva, e a recuperação de vestígios será um “desafio imenso”. O NTSB ainda não divulgou o nome de nenhuma vítima. Na entrevista coletiva da tarde desta segunda não houve informações sobre a identidade das pessoas a bordo. O médico legista do condado de Palm Beach afirmou nesta segunda-feira que trabalha na identificação das vítimas com material de DNA coletado no local. “Eles estão, neste momento, envolvidos na coleta e na análise. Será necessário realizar o confronto de amostras de DNA”, afirmou uma autoridade.
Com informações da BBC.