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Be Ready: campanha britânica que recomenda estoque de alimentos e água por 3 dias causa corrida aos supermercados
Termômetro da Política
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Famílias britânicas foram orientadas a manter em casa o equivalente a três dias de alimentos não perecíveis e cerca de três litros de água potável por pessoa por dia, como parte da campanha nacional “Be Ready”, lançada em 22 de outubro de 2026 pelo Cabinet Office. A orientação inclui também itens como lanterna com pilhas, rádio FM a pilha ou manivela, power bank, dinheiro em espécie, kit de primeiros socorros, medicamentos essenciais e, quando aplicável, fórmula infantil pronta para uso, fraldas e ração para pets. O governo recomenda que as famílias comprem alimentos que já consumam normalmente — como carnes, peixes ou vegetais enlatados, frutas secas e nozes — e que montem o estoque de forma gradual, durante as compras rotineiras, em vez de fazer uma aquisição única, o que de nada adiantou. A divulgação da campanha provocou aumento imediato de demanda no comércio britânico.

Apesar da ênfase para que o estoque seja montado de forma gradual, população correu às compras (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A iniciativa, descrita como a primeira etapa de uma campanha de três anos, busca preparar a população para interrupções em serviços essenciais causadas por eventos climáticos extremos, ataques cibernéticos ou falhas em cadeias de suprimento. O ministro da Segurança, Dan Jarvis, afirmou que “aqueles que puderem seguir esse conselho devem seguir esse conselho”. O primeiro-ministro Andy Burnham observou que eventos inesperados “parecem estar se tornando mais comuns” e que as pessoas deveriam ter “esses suprimentos em casa para passar por esses momentos”. O secretário de Defesa Wes Streeting defendeu que a população fique “alerta, mas não alarmada”.

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A orientação alinha o Reino Unido a práticas já adotadas em outros países europeus. A França, a Irlanda e a Holanda recomendam preparo para 72 horas. A Finlândia aconselha estoque doméstico de pelo menos 72 horas (e mais, se possível), enquanto a Suécia e a Noruega pedem capacidade de autonomia por pelo menos uma semana. A Alemanha sugere, se possível, suprimentos para até 10 dias, embora reconheça que mesmo três dias já ajudam. Especialistas, como a professora Lucy Easthope, descrevem o Reino Unido como “anos-luz” atrás de vizinhos como os países escandinavos em preparação civil. A União Europeia, em sua Estratégia de União de Preparação de março de 2025, também aponta a meta de autossuficiência mínima de 72 horas para a população.

Aumento na demanda

A rede Iceland registrou alta de 40% nas vendas de produtos enlatados no fim de semana seguinte ao anúncio. A Maplin reportou crescimento de 284% nas vendas de lanternas, 92% em rádios e 106% em power banks no período após o lançamento, em comparação com o mês anterior. A Robert Dyas viu salto de 160% nas vendas de rádios. Lojas especializadas em equipamentos de preparação, como a Sgt Prepper, relataram aumento de dez vezes nos pedidos, sobretudo de rádios de manivela, enquanto o site Start Prepping UK teve alta de tráfego superior a 300% em poucos dias. Em algumas plataformas, itens como água engarrafada, baterias e feijão enlatado chegaram a aparecer como indisponíveis temporariamente. Fontes do setor supermercadista afirmaram que as redes foram avisadas com pouca antecedência e que não houve um pânico generalizado no estilo da pandemia de covid-19, embora a demanda por produtos de longa validade tenha subido de forma clara. O governo e varejistas reiteraram que o estoque deve ser construído aos poucos.

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A notícia se espalhou internacionalmente e ganhou eco nos Estados Unidos, onde circulou em redes sociais e sites de notícias, frequentemente em comparação com a orientação permanente do Ready.gov (FEMA), que recomenda que famílias estejam preparadas para se sustentar por vários dias com comida, água e suprimentos próprios. Posts e discussões online associaram a campanha britânica a preocupações mais amplas sobre resiliência, embora o governo americano não tenha emitido nova orientação específica. Especialistas americanos e europeus destacaram que campanhas do tipo “pense em 72 horas” já são comuns nos EUA, na Austrália e em diversos países europeus, e que o objetivo principal é permitir que os serviços de emergência priorizem os mais vulneráveis enquanto a maioria da população se sustenta sozinha por um curto período.

A recomendação oficial enfatiza que o preparo é realista e prático, e que muitas famílias já possuem parte dos itens em casa. O foco, segundo as autoridades, é a resiliência cotidiana diante de riscos que se tornaram mais frequentes, sem apontar uma ameaça iminente específica.

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