Em uma disputa acirrada que reflete um país dividido, a contagem preliminar dos votos realizada neste domingo (21) indicou a vitória do advogado e empresário Abelardo de la Espriella na eleição presidencial da Colômbia. O candidato de extrema-direita superou o senador de esquerda Iván Cepeda por uma margem inferior a 250 mil votos. O resultado apurado no primeiro turno — onde de la Espriella obteve 44% contra 41% de Cepeda — já havia quebrado as expectativas anteriores, que apontavam a liderança do senador esquerdista nas pesquisas de intenção de voto.

A consolidação do resultado eleitoral na Colômbia aguarda a contagem definitiva, procedimento que se inicia nesta segunda-feira (22). De acordo com a legislação colombiana, os dados oficiais dependem do “escrutínio”, etapa em que juízes e autoridades revisam detalhadamente as atas eleitorais para sanar possíveis inconsistências. O atual mandatário, Gustavo Petro, enfatizou a necessidade de cautela. Em pronunciamento nas redes sociais, Petro ressaltou:
“Não se pode proclamar nenhum presidente. É o escrutínio que determina quem é o presidente. Obedeço aos juízes. Tranquilidade aos cidadãos, por favor. A realidade nos mostra um país partido ao meio, e ingerência estrangeira nos tira a liberdade. Impõe-se um acordo nacional se queremos manter a pátria e a paz nos anos que estão por vir”.
A votação transformou-se em um cenário de disputa de influências externas. Enquanto Cepeda contou com o suporte do atual presidente Gustavo Petro, de la Espriella recebeu o endosso público do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Naturalizado norte-americano e italiano, o presidente eleito em apuração preliminar possui histórico de residência em Miami e filiação ao Partido Republicano dos EUA. Após o encerramento da contagem inicial, de la Espriella divulgou um vídeo com a camisa da seleção nacional onde defendeu parcerias com o governo americano para o enfrentamento ao crime organizado, declarando: “Hoje, a Colômbia venceu o seu jogo mais importante”.
Filiado ao Movimento de Salvação Nacional (MSN) — legenda de extrema-direita criada em 1990 por Álvaro Gómez Hurtado, assassinado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs) em 1995 —, de la Espriella representa uma ruptura com a atual administração de esquerda. A trajetória profissional do advogado e empresário de 47 anos, nascido em Bogotá e sem histórico prévio em cargos políticos, inclui a fundação da De La Espriella Lawyers Enterprise e a gestão de negócios nos setores de vestuário, imóveis, vinhos e rum. Na área jurídica, enfrentou questionamentos públicos por exercer a defesa legal de Alex Saab — acusado em solo americano de lavagem de dinheiro para Nicolás Maduro — e de indivíduos vinculados a esquemas de corrupção e grupos paramilitares de direita. O advogado argumenta que as defesas técnicas não implicam em cumplicidade com crimes.
Apelidado de “El Tigre” — denominação inspirada em uma fala de 2024 do ex-presidente Álvaro Uribe sobre o perfil necessário para governar o país —, o candidato alinhou sua imagem ao felino, estabelecendo paralelo com figuras como Javier Milei (associado ao leão) e Donald Trump (associado à águia-careca). Seus apoiadores adotaram o gesto de prestar continência após os discursos, inspirados pelo hábito do candidato de levar a mão ao cenho e bradar “Firme pela pátria!”.
A plataforma de campanha focou fortemente em propostas de segurança e reestruturação econômica. Diante de um cenário em que as pesquisas apontavam a violência como a maior preocupação da população, superando os problemas econômicos deixados pela pandemia e pelo deficit fiscal, de la Espriella propôs uma linha dura baseada em ofensivas militares e na construção de 10 megaprisões. Durante a campanha eleitoral, ele demarcou sua posição sobre as negociações de segurança:
“No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei”.
No campo fiscal e administrativo, o plano do empresário prevê a redução do aparato estatal em 40%, a ampliação da base de contribuintes e a desoneração de impostos corporativos, além de promessas de corte em programas governamentais e incentivo à exploração petrolífera. Ele atribui a atual conjuntura financeira e de segurança diretamente à gestão de Gustavo Petro.
A vitória preliminar foi saudada por lideranças de direita na América Latina. Álvaro Uribe manifestou-se na internet afirmando a confiança em um “governo de recuperação democrática, útil para todos os colombianos”. O presidente argentino, Javier Milei, declarou que “a liberdade avança em toda a América Latina e já não há volta atrás”, enquanto manifestações de congratulações também foram emitidas pelo presidente do Equador, Daniel Noboa, e pelo presidente norte-americano Donald Trump, segundo relato do próprio candidato.
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) indicou que o processo de votação transcorreu sem incidentes graves, contando com a observação de órgãos internacionais como a União Europeia e a OEA. O Tribunal Eleitoral do país reforçou o pedido para que todas as forças políticas aguardem e respeitem o resultado final do pleito. Caso os dados oficiais confirmem a apuração inicial, Abelardo de la Espriella tomará posse no cargo de presidente da República no dia 7 de agosto.
Com informações do portal g1.