Um momento de lazer transformou-se em uma luta dramática pela vida na última terça-feira, nas proximidades do píer de Pacifica, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos. A pescadora Bae Cadotte, de 47 anos, sobreviveu após ser surpreendida e arrastada para o oceano por uma onda de grande intensidade. O incidente, capturado por uma câmera instalada na região, mobilizou pescadores locais em uma operação de salvamento bem-sucedida antes da chegada das equipes de resgate.

As imagens do circuito registraram o instante exato em que Cadotte foi derrubada pela força da água e puxada pela correnteza a uma distância de cerca de nove metros da costa. Em entrevista à ABC News, a sobrevivente relembrou o impacto inicial e a percepção de que seria impossível evitar o arrasto, descrevendo o momento em que se sentiu “engolida” pelo mar:
“Aquilo me engoliu. Eu sabia naquele momento que ela tinha entrado e que eu também iria. Ela ia me pegar. Não tinha como escapar disso”, relatou.
Uma vez submersa, a pescadora relatou que a dinâmica da água causava a sensação de estar presa no interior de uma máquina de lavar, sendo arremessada continuamente de um lado para o outro pelas ondas. Diante da gravidade da situação, Cadotte tomou a decisão estratégica de poupar energias físicas e não confrontar diretamente o fluxo marítimo.
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“Eu simplesmente deixei acontecer. Não tentei lutar contra aquilo. Não adianta lutar contra uma onda surpresa”, disse.
Impossibilitada de retornar por meios próprios e temendo pelo fim de sua vida, a vítima revelou ter recorrido à fé enquanto flutuava à deriva no oceano, direcionando seus pensamentos ao filho:
“Fechei os olhos e fiz uma oração: ‘Deus, se esta é a tua vontade, eu entendo, mas, por favor, não me deixes abandonar meu filho’.”
A resolução do caso começou com a ação rápida de outros pescadores que testemunharam o acidente da margem. O grupo conseguiu lançar uma corda na direção de Cadotte e, coordenando esforços, puxou a mulher de volta até a faixa de areia.
Acionados imediatamente, os paramédicos assumiram o atendimento da ocorrência logo após a retirada da vítima da água. Cadotte foi transportada ao Hospital Geral Zuckerberg, situado na cidade vizinha de São Francisco, onde equipes médicas a trataram de um quadro de hipotermia — decorrente do tempo de exposição às águas frias — e de uma lesão cervical decorrente do impacto violento do mar. Conforme detalhado pela imprensa local, a pescadora recebeu alta e já cumpre o processo de recuperação em sua residência.
Moradora de Pacifica, Bae Cadotte é figura ativa em movimentos comunitários que pleiteiam a preservação e a reforma do píer municipal. Atualmente, a estrutura encontra-se interditada devido a problemas em suas condições estruturais.
Utilizando suas redes sociais após o susto, a moradora utilizou o próprio acidente para ilustrar a relevância daquela infraestrutura na proteção e salvamento de pessoas na orla, definindo o local como uma “joia escondida” que serve como ponto de encontro essencial para moradores e visitantes. Em seu manifesto virtual, ela defendeu a busca por alternativas financeiras ou políticas para reconstruir e revitalizar a área, deixando um alerta sobre a natureza imprevisível do litoral:
“O píer salva vidas, as ondas traiçoeiras tiram vidas. O oceano não é nosso amigo. Ele é indiferente. Deve ser respeitado. É bonito e feroz”, escreveu.
Com informações do portal O Globo.