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MPSC investiga monetização de conteúdos falsos sobre morte do cão Orelha em Florianópolis
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O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) abriu apuração para verificar se houve lucro com postagens falsas divulgadas sobre a morte do cão comunitário Orelha na Praia Brava, em Florianópolis, ocorrida em 4 de janeiro deste ano. A informação foi confirmada nesta terça-feira (12). No mesmo dia, o órgão anunciou que a investigação conduzida pela Polícia Civil sobre o caso foi baseada em relatos de “ouvi dizer” e concluiu que os adolescentes investigados não estiveram junto com o animal na Praia Brava.

Caso ganhou repercussão após o animal ser encontrado por uma moradora em estado grave, agonizando
Caso ganhou repercussão após o animal ser encontrado por uma moradora em estado grave, agonizando (Foto: Reprodução)

A apuração será conduzida pelas Promotorias de Justiça, com apoio do CyberGAECO, que atua em crimes digitais. O objetivo é avaliar a necessidade de criar regras mais claras para evitar que casos sensíveis sejam usados para gerar engajamento e monetização nas redes sociais.

“A apuração tem como objetivo avaliar a necessidade de fomentar a regulamentação e o estabelecimento de parâmetros que evitem o uso indevido de casos sensíveis, especialmente aqueles que envolvem crianças e adolescentes com a finalidade de obter engajamento e monetização em redes sociais”.

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A Polícia Civil informou em nota que “concluiu as investigações relacionadas ao caso e realizou, oportunamente, a divulgação oficial das medidas adotadas no âmbito do inquérito policial”.

O pedido de arquivamento total do caso foi antecipado com exclusividade pelo colunista Anderson Silva, da NSC.

O MPSC destacou que a investigação policial apresentou contradições e falta de evidências concretas. O documento de 170 páginas, assinado por três Promotorias de Justiça, aponta que a análise de câmeras de vigilância revelou um descompasso de cerca de 30 minutos entre os horários registrados pelos sistemas de monitoramento.

“Verificou-se que, nos instantes em que o adolescente esteve nas imediações do deck, o cão se encontrava a cerca de 600 metros de distância. Dessa forma, não se sustenta a tese de que ambos tenham compartilhado o mesmo espaço por aproximadamente 40 minutos, como afirmado nos relatórios policiais”.

O MP ainda citou as imagens divulgadas pela defesa do adolescente, que mostram o animal caminhando pela vizinhança por volta das 7h do dia 4 de janeiro — horário posterior ao estimado pela Polícia Civil como o momento da agressão, por volta das 5h30.

“A constatação, pelas imagens analisadas na perícia, de que o cão mantinha plena capacidade motora e padrão de deslocamento normal quase uma hora após o horário em que a investigação presume a ocorrência do ato da suposta agressão, afastou a tese de que ele teria retornado da praia já debilitado por ‘agressões’ recentes”.

A Polícia Civil havia divulgado um vídeo que, segundo o MP, era “meramente ilustrativo”. A menina que aparece em outro vídeo com o adolescente no dia das supostas agressões também “não viu ataque”, conforme a investigação.

Com informações do portal g1.

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