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Moraes contra-ataca: relatórios de inteligência da PF apontam situações anômalas na atuação de Mendonça
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Relatórios de inteligência da Polícia Federal enviados ao gabinete de Alexandre de Moraes contra André Mendonça aprofundaram o confronto no Supremo Tribunal Federal (STF) a um nível inédito, de desfecho imprevisível. Moraes reuniu os papéis numa decisão e os remeteu ao presidente da Corte, Edson Fachin, com queixa de possível abuso de autoridade e crime de responsabilidade do colega.

Ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, do STF
Ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, do STF (Foto: Luiz Silveira/STF)

Os documentos listam “situações anômalas” na tramitação dos inquéritos do Banco Master e dos desvios de aposentados no INSS, ambos com Mendonça como relator. Trazem depoimentos de pelo menos quatro policiais federais sobre uma “tensão crescente” com o ministro, que, segundo os registros, direcionava as apurações, cobrava investigações de alvos escolhidos por ele e guardava no próprio gabinete o acervo bruto das apreensões nos dois casos.

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O envio foi interpretado como resposta de Moraes, que também está sob mira do gabinete de Mendonça por mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, dono do Master. Integrantes da PF afirmam que “é praxe na corporação registrar todo comportamento anômalo na condução de investigações”. Os mesmos relatórios apontam falhas ou condutas irregulares de policiais hoje sob a tutela de Mendonça nas investigações que ele relata.

Um dos textos diz que o ministro conduz o caso do INSS “como presidente de investigação, não de supervisão judicial”, além do papel de um juiz. Outro relata que Mendonça pediu pessoalmente dados sobre material de Vorcaro que citava Moraes e, ao mesmo tempo, deixou de lado alvos de “material potencialmente ilícito” no Supremo ligados a Nunes Marques e Dias Toffoli.

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Os papéis descrevem tratamentos distintos em situações parecidas — prazos para medidas e rigor das autorizações — e sugerem viés político nas duas apurações. A comparação recai sobre Fábio Luís, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A PF afirma que não há provas de participação dele no escândalo do INSS e que sua atuação como prestador de serviços a empresas privadas se assemelha à de ACM Neto, candidato ao governo da Bahia pelo União Brasil, no caso Master. Segundo o órgão, as medidas adotadas contra um e outro foram discrepantes, apesar da semelhança das situações.

Há ainda trechos sobre ex-colegas de Mendonça no governo Jair Bolsonaro contrapostos a episódios que envolvem o filho mais velho de Lula. De acordo com a PF, o relator aplica dois pesos e duas medidas.

Com informações do portal UOL.

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