Vídeos gravados pela Justiça Federal revelam que um ex-colaborador da 13ª Vara Federal de Curitiba, Tony Garcia, declarou à juíza Gabriela Hardt, sucessora de Sergio Moro na vara, que atuava não como delator, mas como “informante” do então juiz e hoje senador Sergio Moro (União Brasil-PR). Nas imagens, ele afirma ainda que, na condição de colaborador, possuía autonomia para solicitar interceptações telefônicas de alvos de interesse da investigação.

“Com o tempo, doutora Gabriela [Hardt], eu fui agente infiltrado do Ministério Público. Eu trabalhei por dois anos e meio diuturnamente, por 24 horas, tendo um agente da inteligência da Polícia Federal ao meu dispor, para eu pedir segurança e interceptação telefônica que colaborasse com a Justiça”, disse o ex-deputado estadual Tony Garcia nas gravações.
Garcia também relata que Moro o chamava frequentemente para discutir os rumos do caso e pedia que buscasse possíveis delatores. Ele diz ter usado o telefone da 13ª Vara para contatar alguns alvos. “Inclusive, uma das pessoas-chave desse inquérito eu levei para o acordo. Eu pedi para ele não ser preso. E ele foi lá e falou tudo. Que tinha conta fora e tal.”
O senador Sergio Moro é alvo de apuração no Supremo Tribunal Federal sob suspeita de ter utilizado delatores para alcançar alvos que, juridicamente, estariam fora de seu alcance na Justiça Federal do Paraná. Moro tornou-se parlamentar em 2023.
Procurado, Moro afirmou: “a investigação em curso no Supremo Tribunal Federal é baseada em relatos fantasiosos do criminoso condenado Tony Garcia. A colaboração deste criminoso com o Ministério Público e a Justiça Federal remonta aos anos de 2004 e 2005, tendo então se encerrado. Não é possível comentar qualquer material do inquérito, já que não tive acesso aos autos”.
As gravações se somam a outras acusações de abuso e negligência da Justiça Federal local em relação à atuação de Moro durante a operação Lava Jato.
Com informações do portal UOL.