O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou sua conta na rede social X para responder a ataques dirigidos ao tribunal e aos seus membros, apontando o que classificou como uma contradição do ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo).

Em publicação feita nesta quarta-feira (15), Mendes afirmou que é “no mínimo, irônico” ver alguém que administrou o Estado de Minas Gerais atacar o STF após ter solicitado ao tribunal, durante sua gestão, medidas que permitiram ao governo estadual adiar, por meses, o pagamento de parcelas de sua dívida com a União.
“É, no mínimo, irônico ver quem já geriu o Estado de Minas Gerais atacar o STF e seus membros após ter, durante sua gestão, solicitado ao Tribunal medidas que permitiram ao governo estadual adiar, por meses, o pagamento de parcelas de sua dívida com a União”, escreveu o ministro.
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Gilmar Mendes citou uma Nota Técnica SEI nº 1.488/2026, do Ministério da Fazenda, como confirmação de que o mesmo agente que hoje critica o tribunal recorreu a ele “inúmeras vezes” para obter decisões que suspenderam obrigações bilionárias com a União.
“Sem o socorro institucional do STF, o então governador teria enfrentado um cenário de grave desorganização fiscal, com riscos concretos à continuidade de serviços públicos essenciais”, destacou o ministro.
O post ressalta uma aparente contradição: quando o STF profere decisões favoráveis ao fluxo de caixa ou supre omissões do Legislativo local, a Corte é vista como “agente necessário ao funcionamento da máquina estatal”. No entanto, quando as decisões contrariam interesses políticos, surge o discurso de “ativismo judicial” e ataques à honra dos ministros.
“A contradição é latente: quando o STF profere decisões que garantem o fluxo de caixa ou suprem omissões do Legislativo local, a Corte é acessada como agente necessário ao funcionamento da máquina estatal. Afinal, ninguém recorreria sucessivamente a um Tribunal cuja legitimidade não reconhecesse. Contudo, basta que a Corte contrarie interesses políticos desse grupo para que o pragmatismo jurídico dê lugar a chavões vazios de ‘ativismo judicial’ e a ataques à honra dos ministros”, afirmou Mendes.
O ministro concluiu classificando o comportamento como “a política do utilitarismo”: o STF serve como “escudo fiscal e contábil”, mas é tratado como “vilão quando decide conforme a Constituição — e não conforme a conveniência de ocasião”.
A publicação de Gilmar Mendes ocorre em meio a críticas recorrentes ao Supremo por parte de setores políticos, especialmente após decisões recentes do tribunal. O ministro não citou nominalmente o ex-gestor mineiro, mas o contexto da mensagem aponta para alguém que ocupou o cargo de governador de Minas Gerais e que, segundo o post, recorreu ao STF para obter alívio financeiro.
A postagem já acumula milhares de visualizações e gerou intensa repercussão nas redes sociais, com reações tanto de apoio quanto de contestação ao posicionamento do ministro.