O PT trabalhou com uma lista interna que previa 45 votos certos para a aprovação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os nomes considerados garantidos estavam o do senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, e o do senador Eduardo Gomes (PL-TO).

A articulação do partido também contava com o voto da ex-ministra Tereza Cristina (PP-MS), aliada do ex-presidente, e colocava na coluna de dúvida sete senadores do PL: Romário (PL-RJ), Izalci Lucas (PL-DF), Marcos Rogério (PL-RO), Wellington Fagundes (PL-MT), Wilder Moraes (PL-GO), Styverson Valentin (Podemos-RN) e Zequinha Marinho (Podemos-PA). No total, o PT projetava 45 votos favoráveis, 21 incertos e apenas 17 contrários.
Leia também
PT discute plano B para Minas Gerais com recuo de Rodrigo Pacheco
A expectativa era tão alta que, mesmo com a suplente da senadora Ana Paula Lobato (PSB; suplente de Flávio Dino) sendo contabilizada como voto certo, a indicação acabou rejeitada pelo Plenário do Senado — a primeira rejeição de um indicado ao STF desde 1894. Messias recebeu apenas 34 votos a favor e 42 contra.
Quando a lista chegou ao senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, ele telefonou para o Palácio do Planalto avisando que os números estavam equivocados. Randolfe confiava mais na contagem feita pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), segundo a qual Messias nunca teve mais de 25 votos seguros e já contava com 35 senadores convictos pela rejeição.
Quinze dias antes da sabatina, Alcolumbre havia conversado diretamente com José Dirceu e alertado que o nome não passaria. Dirceu repassou o recado a ministros do PT, mas foi tranquilizado com a informação de que a aprovação estava garantida.
Com informações do portal g1.