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Mário Frias e os filhos de Jair Bolsonaro se contradizem sobre financiamento de Vorcaro para filme Dark Horse
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o deputado federal Mário Frias (PL-SP) apresentaram versões diferentes ao longo dos dias sobre a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Ator escolhido para interpretar Bolsonaro é Jim Caviezel, conhecido por viver Jesus em A Paixão de Cristo, de Mel Gibson
Ator escolhido para interpretar Bolsonaro é Jim Caviezel, conhecido por viver Jesus em A Paixão de Cristo, de Mel Gibson (Foto: Divulgação)

As declarações dos três têm sido marcadas por contradições que envolvem principalmente a gestão financeira do projeto e os vínculos de Flávio Bolsonaro com o dono do Banco Master.

Flávio Bolsonaro inicialmente negou qualquer contato com Vorcaro e chegou a associar o escândalo do Banco Master ao governo Lula e ao PT. Depois que as mensagens foram divulgadas, ele admitiu ter pedido dinheiro ao banqueiro e disse que se tratava de “patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet.”. No dia seguinte, em entrevista ao programa Mais, da Globonews, o senador reconheceu que havia mentido sobre a relação e justificou a negativa inicial pela existência de uma cláusula de confidencialidade no contrato. “Eu menti. Eu podia descumprir uma cláusula contratual? Isso gera multa, isso gera exposição dos investidores”, afirmou. Ele também classificou a relação com Vorcaro como “estritamente profissional” e “monotemática”, limitada ao filme, embora as mensagens mostrem que organizava jantares com o banqueiro.

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Eduardo Bolsonaro alternou versões sobre sua participação no projeto. Primeiro, afirmou que apenas havia apresentado ao deputado Mário Frias um advogado responsável pela estrutura financeira do filme, dizendo que “o escritório cuida apenas da gestão burocrática, financeira e legal dos recursos”. Depois que o Intercept revelou um contrato assinado por ele em janeiro de 2024, no qual aparece formalmente como produtor-executivo ao lado de Mário Frias, Eduardo admitiu ter assinado o documento. Ele alegou que assumiu a função apenas para impedir que o projeto fosse interrompido, assumindo pessoalmente os riscos financeiros para manter o diretor por dois anos e, após a chegada de novos investidores, deixou o cargo. O deputado cassado também afirmou ter recebido de volta US$ 50 mil que teria investido inicialmente.

Mário Frias apresentou versões diferentes sobre o financiamento. Na primeira nota divulgada na quarta-feira (13), ele afirmou categoricamente que não havia dinheiro de Daniel Vorcaro no filme: “Não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse”. Cerca de 20 horas depois, o deputado recuou e divulgou nova nota. Ele passou a afirmar que o Banco Master e Vorcaro não figuravam formalmente como investidores diretos, mas que o relacionamento jurídico do projeto era com a Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas de Vorcaro. “Quando afirmei anteriormente que não há ‘um centavo do Master’ no filme, referia-me ao fato de que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário de relacionamento jurídico, assim como o Banco Master nunca figurou como empresa investidora”, escreveu. Segundo ele, não há contradição entre os posicionamentos, mas “uma diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento”, já que não é o nome de Vorcaro nem do Banco Master que aparece no contrato.

Os documentos e mensagens obtidos pelo Intercept Brasil e confirmados pela TV Globo mostram que Vorcaro se comprometeu a repassar cerca de R$ 134 milhões para o filme, dos quais ao menos R$ 61 milhões foram pagos. As negociações envolveram contatos diretos de Flávio Bolsonaro, que pedia recursos ao banqueiro. Vorcaro está preso, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras que podem chegar a R$ 12 bilhões, segundo a Polícia Federal.

Com informações dos portais g1 e Intercept Brasil.

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