O pedido de expulsão de Fábio Tyrone do PSB só ganhou prazo e instância depois de virar munição na disputa pelo governo de Pernambuco. Até lá, o ex-prefeito de Sousa (PB), candidato a deputado federal e condenado por agredir a ex-namorada, permaneceu na legenda, registrou candidatura e recebeu do partido um dos maiores repasses da chapa paraibana — embora a executiva do PSB Mulher tivesse pedido a saída dele em 2023 e a deputada Tabata Amaral, esposa do presidente nacional João Campos, tivesse encaminhado o caso ao Conselho de Ética em abril deste ano.

Tyrone foi condenado no âmbito da Lei Maria da Penha por espancar, em 2018, a então namorada, a advogada Myriam Gadelha. Em abril de 2026, o ministro Messod Azulay Neto, do Superior Tribunal de Justiça, reduziu a pena para 10 meses e 25 dias, patamar que permitiu a ele seguir apto ao pleito. Em 2023, a executiva do PSB Mulher decidiu, por unanimidade, protocolar pedido de expulsão. A Coluna do Estadão registrou que o partido ignorou a recomendação e manteve o filiado.
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Em 13 de abril de 2026, Tabata Amaral (PSB-SP) anunciou nas redes que levaria o caso adiante. “Estou encaminhando o caso pro Conselho de Ética do PSB pra que sejam tomadas as devidas providências. Não podemos ter nenhuma tolerância quando estamos falando de violência contra as mulheres”, escreveu. Myriam lembrou, no mesmo fio, que o pedido das mulheres do partido tinha sido ignorado. João Campos, ex-prefeito do Recife e candidato ao governo de Pernambuco, preside a sigla nacionalmente e é casado com Tabata.
Entre o encaminhamento de abril e o fim de setembro, Tyrone não só continuou no PSB como apareceu em agenda com Campos no Recife, em fevereiro, e recebeu cerca de R$ 1,5 milhão do fundo partidário — R$ 1.554.500,94, segundo o Paraíba Online. O Estadão comparou o valor à média de R$ 301 mil dos outros dez candidatos do partido a deputado federal na Paraíba e descreveu o repasse como 400% superior. No país, o UOL o colocou como o 21º que mais recebeu verba do diretório nacional. Myriam classificou a manutenção da candidatura como violência institucional: “Acho uma violência institucional contra mim. Me sinto mais uma vez violentada, desta vez por João Campos.”
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A reação pública do presidente da legenda coincidiu com a exposição do caso na reta final da campanha pernambucana. Em nota ao Estadão e ao Diario de Pernambuco, o PSB disse que o fundo é definido pelo diretório estadual e que, mesmo sem ser presidente quando as agressões ocorreram, Campos reabriu a apuração a partir da representação de Tabata, em abril. Informou ainda que, dez dias antes, ele pediu atualização à Secretaria Nacional de Mulheres, reafirmou o pedido de expulsão e, em 23 de setembro, determinou que o processo fosse direto ao Conselho Nacional de Ética, “a fim de que a expulsão seja concluída o quanto antes”. O UOL registrou que Tyrone teria dez dias para se defender a partir dessa data.
No debate da TV Globo em 29 de setembro, a governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, cobrou o contraste: o PSB Mulher e Tabata pediram a saída, e mesmo assim Tyrone foi recebido no Recife, tirou foto, seguiu candidato e levou o repasse. “A pergunta que ela faz é: por que você protege um agressor de mulheres?” Campos respondeu que o caso estava fechado antes de ele assumir a presidência, foi reaberto por iniciativa da esposa e que a expulsão já estava determinada. “Determinei de imediato que fosse apurado e, há alguns dias, eu já determinei a expulsão desta pessoa do PSB. O Conselho de Ética do PSB irá expulsá-lo do partido.” Afirmou ainda nunca ter cometido violência contra mulher nem defendido violação de direitos das mulheres.
No dia seguinte, o sistema do TSE ainda listava Tyrone como integrante ativo da direção estadual na Paraíba, no cargo de segundo-secretário de Finanças, e como candidato a deputado federal. A determinação anunciada no debate, portanto, ainda não tinha se traduzido em desfiliação formal.