O que pensa o Termômetro da Política
O que pensa o Termômetro da Política
Quem o PT da Paraíba apoia para o Senado?
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Lula, João Azevêdo, Cida Ramos e Veneziano Vital
Lula, João Azevêdo, Cida Ramos e Veneziano Vital; o segundo e o quarto são os senadores apoiados pelo PT na Paraíba (Imagem: Grok)

Muita gente não está entendendo nada em relação a quais senadores o PT da Paraíba irá apoiar. Realmente, não é tarefa fácil, mas a situação do Partido dos Trabalhadores é a mesma enfrentada pelos demais partidos. O sistema eleitoral brasileiro é permeado de incoerências. Não existe nada que obrigue os partidos a seguirem uma mesma linha em suas coligações em todos os estados, muito menos que as alianças tenham coerência política. No final, quase tudo é permitido, desde que se atendam exigências legais que, na prática, nem sempre serão cumpridas.

Vamos tentar explicar usando o PT como exemplo. Mesmo o partido não tendo aliança formal com a Federação União Progressista, na Paraíba o partido pode se coligar e apoiar o candidato a governador Lucas Ribeiro (PP). Porém, a legislação brasileira divide as diversas eleições em chapas majoritárias e proporcionais. A chapa majoritária estadual compreende os cargos de governador, vice-governador e senador.

Logo, na hora em que o PT aprova a coligação com Lucas Ribeiro, juridicamente também estará atrelado aos candidatos ao Senado que integram essa chapa, João Azevêdo (PSB) e Nabor Wanderley (Republicanos), mesmo que politicamente não seja essa a sua vontade. Não existe a possibilidade de se coligar com o candidato a governador de uma chapa e com os candidatos ao Senado de outra. Sendo assim, isso pode gerar uma confusão entre os partidos e os eleitores.

Essa é a situação do PT na Paraíba, que politicamente apoia os senadores João Azevêdo e Veneziano Vital (MDB). Mas, para efeitos jurídicos, em sua ata só pode constar os integrantes da chapa de Lucas Ribeiro, ou seja, João Azevêdo e Nabor Wanderley.

Por mais que o senador Veneziano manifeste sua indignação, já que queria seu nome como coligado na ata do PT, essa é uma situação juridicamente impossível. Mesmo que, como exemplo, PCdoB e PV tenham manifestado esse apoio divergente na ata da Federação, ambos são partidos que não têm poder de decisão isoladamente. Adiante, as manifestações feitas por eles serão meramente políticas e poderão expressar apoios que juridicamente não são possíveis. É uma forma de fazer firula, dizer que apoia outros candidatos, porque, no final, não terá implicação alguma. Fosse o contrário, a aliança com Lucas não seria possível e a ata seria impugnada. Algo que, com certeza, o PCdoB não quer, já que é cem por cento governista.

Como forma de atenuar essa situação jurídica, o PT na Paraíba manifestou publicamente o apoio a Veneziano Vital. A nota divulgada deixa claro que irá fazer campanha para ele e, assim, atrelar seu nome ao partido e a Lula. O que Veneziano perde? Não poderá usar o tempo de TV do partido.

Enquanto o sistema eleitoral permitir, essa é a realidade: atas eleitorais não manifestarão exatamente o posicionamento político dos partidos. É algo que acontece em todas as coligações. Em todos os partidos haverá votos cruzados para o Senado e diferentes dos declarados em suas atas. Tem até voto para senador lulista casado com senador bolsonarista. Coisas do Brasil.

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