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Bad Bunny usa vitória no Grammy para protestar contra o ICE
Termômetro da Política
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Uma semana antes de se apresentar no intervalo do Super Bowl LX e na noite em que fez história no Grammy, Bad Bunny usou seu tempo no palco para enviar uma mensagem política contundente protestando contra as recentes ações da Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE).

“Nós não somos selvagens, não somos animais, não somos aliens”, disse Bad Bunny
“Nós não somos selvagens, não somos animais, não somos aliens”, disse Bad Bunny (Foto: Reprodução/TNT)

Ao aceitar o prêmio de melhor álbum de música urbana, Bad Bunny começou seu discurso dizendo: “Antes de agradecer a Deus, vou dizer: fora ICE!”

A plateia dentro do evento, realizado em Los Angeles, respondeu com aplausos entusiasmados, conforme captado pela transmissão.

“Nós não somos selvagens, não somos animais, não somos aliens”, disse ele. “Somos humanos e somos americanos.”

Após uma pausa enquanto o público aplaudia, Bad Bunny continuou: “Eu sei que é difícil não odiar nesses dias, e eu estava pensando, às vezes a gente fica contaminado – não sei como dizer isso em inglês – o ódio fica mais forte com mais ódio.”

“A única coisa que é mais poderosa que o ódio é o amor”, afirmou ele. “Então, por favor, precisamos ser diferentes. Se formos lutar, temos que fazer isso com amor.”

A frase “ICE out” tem sido usada em protestos como um chamado pelo fim da repressão imigratória da administração Trump.

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Bad Bunny ganhou um total de três prêmios no domingo, um dos quais foi uma vitória histórica com o álbum do ano por “Debí Tirar Más Fotos (Eu Deveria Ter Tirado Mais Fotos)”. É a primeira vez que um álbum em língua espanhola conquista o principal prêmio da Academia de Gravação.

Durante seu discurso emocionante, proferido majoritariamente em espanhol, Bad Bunny dedicou a vitória “a todas as pessoas que tiveram que deixar sua terra natal, seu país, para seguir seus sonhos”.

Os comentários de Bad Bunny vêm em meio a protestos nacionais contra o ICE que ocorreram no fim de semana. Na sexta-feira, Bruce Springsteen fez uma aparição surpresa em um show organizado por Tom Morello, do Rage Against the Machine, em Minneapolis, evento beneficente para as famílias de Renee Nicole Good e Alex Pretti, mortos por agentes federais no último mês.

Springsteen lançou na semana passada a música “Streets of Minneapolis”, dedicada à população de Minneapolis e à memória de Good e Pretti.

Outros artistas também se posicionaram politicamente

Billie Eilish também falou contra o ICE no palco do Grammy, mas os espectadores em casa não ouviram toda a extensão de seus comentários.

Ao aceitar o Grammy de música do ano por “Wildflower”, Eilish, que tem sido uma crítica aberta das ações de agentes do ICE nas últimas semanas, disse: “ninguém é ilegal em terra roubada”.

“É muito difícil saber o que dizer e o que fazer agora”, continuou ela, incentivando a todos a “continuar lutando, falando e protestando”.

O final de seu discurso foi censurado pela transmissão televisiva, mas, segundo vídeos postados online, Eilish disse: “Foda-se o ICE”.

Mais cedo na transmissão, a vencedora de melhor artista novo, Olivia Dean, também fez um comentário político no palco.

A cantora e compositora britânica, de raízes caribenhas, reconheceu durante seu discurso de aceitação que é “neta de uma imigrante”.

“Sou produto de coragem, e acho que essas pessoas merecem ser celebradas”, disse ela. “Não somos nada sem uns aos outros.”

O apresentador do Grammy, Trevor Noah, adotou uma abordagem mais leve ao comentar o cenário político.

Durante seu monólogo de abertura, ele fez uma piada dizendo que a rapper Nicki Minaj – que recentemente se declarou “fã número um” do presidente Donald Trump – não estava no Grammy porque “ainda estava na Casa Branca discutindo questões muito importantes”.

Trump mais tarde compartilhou sua opinião sobre a transmissão no Truth Social, chamando o Grammy Awards de “virtualmente impossível de assistir”.

Noah também fez uma brincadeira com Bad Bunny antes da vitória do artista, perguntando se ele poderia morar em Porto Rico caso as coisas piorassem nos Estados Unidos.

“Bem, tenho uma notícia pra você”, respondeu Bad Bunny. “Porto Rico faz parte da América.”

Um caminho cheio de controvérsias até o intervalo do Super Bowl

Os comentários de Bad Bunny provavelmente vão intensificar a controvérsia que tem dominado a conversa sobre sua apresentação no intervalo do Super Bowl desde que foi anunciada.

Parte de círculos conservadores se opõe à participação dele no maior palco esportivo do país desde o anúncio, motivada pelo fato de ele ter excluído os Estados Unidos continentais de sua turnê de 2025-2026, decisão que ele disse ter tomado por medo de que o ICE pudesse fazer operações nos locais dos shows.

Outros da direita criticaram o catálogo musical de Bad Bunny, que contém exclusivamente músicas em espanhol.

A organização conservadora Turning Point USA criou uma programação alternativa ao show de intervalo de Bad Bunny, alegando que está mais alinhada com seus valores. A lista de artistas ainda não foi confirmada.

Fonte: CNN

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