O ator Juliano Cazarré, conhecido por posições conservadoras e criador de um polêmico encontro para “fortalecer os homens”, participou nesta terça-feira (12) de um debate sobre masculinidade na GloboNews e, durante a conversa, divulgou dados falsos sobre violência contra a mulher no Brasil.

Ao tentar relativizar os números de feminicídio, Cazarré afirmou: “Inclusive mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres. Tem 2.500 homens assassinados por mulheres no período em que nós tivemos 1.500 mulheres assassinadas por homens”.
A declaração reproduz uma notícia falsa (fake news) que circulou em vídeo no TikTok no ano passado. O conteúdo distorce estatísticas ao misturar assassinatos passionais com crimes de violência urbana — nos quais homens são as principais vítimas e autores —, usando um percentual global de 2013 falsamente atribuído ao IPEA.
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Especialistas apontam que o vídeo ignora que, no mesmo levantamento, 40% de todos os homicídios de mulheres no mundo foram cometidos por parceiros íntimos, percentual muito superior aos 6% citados. Dados mais recentes da ONU indicam que 60% dos feminicídios globais são praticados por parceiros ou familiares, enquanto apenas 12% dos homicídios de homens ocorrem na esfera privada.
No Brasil, o cenário também se agravou: 2025 registrou recorde de feminicídios na última década. A propagação de informações falsas como essa, segundo analistas, não apenas desinforma, como dificulta o combate à violência de gênero.
O ator usou o debate para rebater dados sobre feminicídio alegando que o Brasil é “violento como um todo”, mas a afirmação foi amplamente desmentida por especialistas em segurança pública e violência contra a mulher.
Com informações do portal Veja.