A morte de Saul Muniz, ex-zagueiro de 40 anos, após um acidente com scooter em Galway, na Irlanda, comoveu familiares, amigos e ex-companheiros de futebol. Ele morava no país desde 2012, onde trabalhava como barbeiro e atuava como voluntário em um projeto social voltado para crianças africanas.

Saul nasceu em Minas Gerais e mudou-se para Ribeirão Preto em 1995, onde iniciou a carreira nas categorias de base do Comercial. Defendeu também a Francana, o Jaboticabal e o Guariba antes de encerrar a trajetória nos gramados. A irmã, professora de inglês Patrícia Borges, contou que ele decidiu ir para a Irlanda após lesões no joelho e no tornozelo que o impediram de voltar a jogar em alto nível.
“Ele ficou muito triste porque não conseguia se recuperar 100% dentro de campo. Aí decidiu ir para outro país. O país que o acolheu foi a Irlanda”, relatou Patrícia.
Inicialmente, Saul foi estudar inglês. Antes da viagem, fez um curso de barbeiro, incentivado pela mãe, que era cabeleireira. “Ele já cortava o cabelo dos jogadores, dos colegas. Fez um curso de barbeiro antes de ir, e a nossa mãe incentivou. Ele foi barbeiro e acabou ficando”, explicou a irmã. Morou primeiro em Dublin e, depois, fixou-se em Galway, onde construiu uma nova rotina e deixou amigos em diferentes salões.
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Na Irlanda, Saul era voluntário na ONG You in Africa, que combate a fome e promove educação para crianças africanas. “Ele era um homem humanitário, missionário, ajudava todo mundo, até no sorriso, a fazer outra pessoa sorrir”, disse Patrícia.
Após o acidente, a família autorizou a doação dos órgãos de Saul, que foram destinados a beneficiar outras pessoas. Coração, pulmão, rins, fígado, além de vasos sanguíneos e válvulas cardíacas, foram doados. “A gente fez uma oração com os amigos mais próximos, e ele foi levado para a sala onde teria os órgãos retirados para ajudar outras vidas”, contou a irmã, que acompanhou o processo por videochamada com a equipe médica.
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Amigos na Irlanda organizam uma homenagem e um velório antes da cremação. A família autorizou o pedido. “É tanta gente que eles pediram para fazer um velório lá antes da cremação. Nós autorizamos. Eles vão fazer uma homenagem”, afirmou Patrícia. As cinzas devem ser trazidas ao Brasil.
Saul planejava voltar a Ribeirão Preto no fim deste ano para rever a família. Segundo a irmã, ele não vinha ao país havia cerca de quatro anos. “A gente estava muito feliz porque ele falou que, no final do ano, viria nos encontrar. Depois da pandemia, ele não veio mais para o Brasil”, disse.
Amigos criaram o grupo “Forever Saul” para reunir fotos, vídeos e homenagens. Patrícia relatou ter recebido mensagens de brasileiros, irlandeses e imigrantes de outras nacionalidades que conviveram com o irmão. “Agora, com tudo isso que estou experienciando, eu vi a imensidão de pessoas que foram acolhidas por ele. É muita gente compartilhando vídeo, depoimento, mensagem de apoio. Não é só Irlanda e Brasil”, afirmou.
Uma vaquinha foi organizada por amigos que vivem na Irlanda para ajudar nos custos. A família agradeceu as doações, mas informou que, no momento, não há necessidade de novas contribuições no Brasil.
Com informações do portal g1.