A Polícia Federal afirma ter identificado o uso de 549 CPFs de pessoas falecidas em documentos relacionados a operações ligadas à Pixbet. A empresa, sediada em Campina Grande (PB), foi alvo da Operação Arena, deflagrada nessa quinta-feira (13) na Paraíba, em São Paulo e em mais três estados. A ação apura suposto esquema de evasão de divisas e lavagem de dinheiro por meio de apostas esportivas.

Segundo a representação enviada à Justiça Federal, documentos da movimentação financeira voltada à lavagem de dinheiro em paraíso fiscal continham registros associados a falecidos — alguns mortos há mais de 20 anos.
Os nomes vinculados aos números de CPF chegaram a ser alterados após alerta do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) disparado pelo sistema que autoriza a compra de moeda estrangeira (ACAM). Apesar da identificação das irregularidades e da notificação à Anspace, instituição de pagamento mais utilizada pelo grupo Pixbet, os CPFs continuaram sendo empregados nas transações.
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O uso desses documentos atribuía a terceiros já falecidos uma falsa identidade na realização de operações de câmbio não autorizadas, com o objetivo de promover a evasão de divisas. A PF registra que ainda não se sabe como os dados das pessoas mortas foram obtidos, mas há indícios de que a empresa não foi vítima de fraudes, e sim agente ativo na manipulação da documentação.
Ainda na quinta-feira, o Ministério da Fazenda determinou a suspensão imediata das operações da Pixbet. A medida cautelar também prevê o cancelamento das apostas em curso e a devolução dos valores aos usuários.
A reportagem buscou a defesa da Pixbet na quinta-feira. A empresa afirmou que não teve acesso à determinação que autorizou a operação e que foi “pega de surpresa”. Quando tiver acesso à decisão, disse que se manifestará.
A Operação Arena investiga grupo empresarial suspeito de utilizar estrutura societária e financeira no exterior para ocultar a origem e o destino de recursos provenientes da exploração de jogos de azar e apostas esportivas. A ação contou com a participação da Polícia Federal, do Ministério Público da Paraíba (MPPB) e da Receita Federal.
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O advogado Nelson Wilians foi alvo de cumprimento de mandado de busca e apreensão em residência sua em São Paulo, por decisão da Justiça da Paraíba. Por meio de nota, o advogado Santiago Schunck, que o representa, afirmou que a relação entre o escritório do cliente e a Pixbet “é estritamente profissional e decorre da prestação de serviços de advocacia”.
Ernildo Júnior, dono da empresa de apostas online Pixbet, foi abordado por agentes da polícia em Campina Grande enquanto estava em um carro. O veículo e o celular dele foram apreendidos em cumprimento de mandado de busca e apreensão. As imagens registram o momento da abordagem na entrada da cidade.
Os investigados podem responder pelos crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros delitos contra o sistema financeiro nacional.
A Polícia Federal detalhou o suposto mecanismo de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Segundo a corporação, o dinheiro das apostas era enviado ao exterior por meio de empresas de compensação financeira e, em seguida, recebido por uma empresa de fachada — sem funcionários ou atividade econômica — registrada em Curaçao, paraíso fiscal.
Com informações do portal g1.