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Eleições de meio de mandato nos EUA: entenda as midterms e a pressão contra Trump a dias da votação
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Em 3 de novembro de 2026, os americanos vão às urnas para as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. Diferentemente das eleições presidenciais, o cargo de presidente não está em disputa. O que se decide é o controle do Congresso — todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes e 35 dos 100 assentos do Senado —, além de dezenas de governos estaduais, assembleias legislativas e medidas locais. A data, fixada por lei federal, cai na terça-feira seguinte à primeira segunda-feira de novembro.

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Cargo de presidente não está em disputa, mas Trump pode perder o controle do Congresso (Foto: Divulgação/Casa Branca)

Historicamente, as midterms funcionam como um referendo sobre o desempenho do presidente em exercício. Em 20 das últimas 22 eleições desse tipo, o partido da Casa Branca perdeu cadeiras no Congresso. A lógica é simples: eleitores da oposição tendem a se mobilizar mais, enquanto a base do governo costuma mostrar menor entusiasmo a meio do mandato. O resultado define o grau de liberdade do presidente para aprovar leis, indicar juízes e resistir a investigações nos dois anos seguintes.

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Neste ciclo, os republicanos entram com maioria estreita. Na Câmara, detêm cerca de 218 assentos contra 214 democratas (com vagas e um independente). No Senado, a vantagem é de 53 a 47. Os democratas precisam de um ganho líquido de poucos assentos para controlar a Câmara e de quatro para assumir o Senado. Previsões não partidárias, como as do Cook Political Report, já classificam a Câmara como favorita aos democratas, enquanto o Senado permanece mais disputado. Pesquisas de intenção de voto no “boletim genérico” dão vantagem de cerca de oito a onze pontos aos democratas.

A pressão sobre Donald Trump decorre diretamente desse cenário. Seu índice de aprovação oscila nos baixos 30%, com uma pesquisa Reuters/Ipsos de meados de outubro registrando 32% — próximo do ponto mais baixo de seus dois mandatos. A rejeição é ainda mais acentuada em temas centrais: custo de vida, economia e o conflito no Irã, que contribuiu para a elevação dos preços da gasolina e do diesel. Três quartos dos americanos consideram o custo de vida no caminho errado. Analistas e consultores republicanos descrevem o ambiente como hostil, com o próprio presidente reconhecendo, em privado, que parte das dificuldades tem origem em suas decisões.

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Trump tentou transformar o pleito em referendo pessoal, repetindo em comícios a frase para que os eleitores “finjam que estou na cédula”. A estratégia visa mobilizar a base, mas também expõe o partido à sua impopularidade. Relatos de dentro da Casa Branca apontam um clima sombrio, com assessores alertando para o risco de perdas e o presidente reagindo com irritação a pesquisas desfavoráveis. A perda de uma das câmaras — especialmente a Câmara — abriria caminho para investigações, bloqueio de nomeações e paralisia legislativa nos últimos dois anos de mandato. Mesmo sem controle do Senado, uma maioria democrata na Câmara bastaria para ampliar o escrutínio sobre o governo.

Além dos números, Trump enfrenta críticas por ações que críticos classificam como interferência no processo eleitoral: demandas por dados de cadastros de eleitores, questionamentos à votação por correio e ameaças de mobilização de recursos federais. Ao mesmo tempo, republicanos em disputas apertadas buscam se distanciar de tarifas, da guerra e de controvérsias do entorno presidencial. O resultado de 3 de novembro não altera o fato de Trump permanecer presidente até 2029, mas pode transformar radicalmente sua capacidade de governar até lá.

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