A Polícia Federal apura a atuação da empresa Crédito e Mercado, consultoria de investimentos que orientou aplicações de institutos de previdência de cidades paulistas em produtos do Banco Master, instituição envolvida em escândalo financeiro bilionário. Entre os clientes da consultoria está o Instituto de Previdência Municipal de Santo Antônio da Posse, município do interior de São Paulo com 23 mil habitantes. O Iprem-Posse aplicou R$ 7 milhões em letras financeiras do banco de Daniel Vorcaro e foi alvo de operação da PF na última quinta-feira (23).

A Crédito e Mercado tem como sócio o advogado Cecílio Galvão, investigado por ter recebido R$ 4 milhões de entidades envolvidas na Farra do INSS. É o nome de Galvão que aparece em dezenas de contratos firmados pela consultoria com institutos de previdência de diversas cidades, principalmente em Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo — onde foram mais de 20 municípios.
A Justiça Federal em Campinas autorizou busca e apreensão contra o Iprem-Posse, seu ex-presidente, uma diretora e três membros do Comitê de Investimentos por suspeita de “gestão temerária” dos recursos do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS).
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A Crédito e Mercado afirmou que “a decisão final de investimento é de responsabilidade exclusiva dos gestores e comitês dos RPPS, que possuem autonomia na alocação de recursos” e que não foi notificada sobre a operação da PF.
O CEO da consultoria, Renan Calamia, já foi absolvido pela Justiça Federal de São Paulo em janeiro deste ano em ação relacionada aos aportes em Santo Antônio da Posse, mas a atuação da empresa continua sob apuração. Documentos apreendidos na operação devem auxiliar os investigadores.
Calamia também é citado em inquérito da delegacia de São José do Rio Preto que apura o envolvimento da consultoria Plena na previdência de Sebastianópolis do Sul. Segundo a PF, ele teria atuado “de forma temerária na decisão de aplicação dos recursos, atuando com consciência e vontade de administrar audaciosamente, colocando em risco a saúde financeira do RPPS de Sebastianópolis do Sul”.
Um dos fundos recomendados pela Plena para Sebastianópolis do Sul foi o Brazilian Graveyard and Death Care Services, ligado ao setor funerário e administrado inicialmente pela Master. O cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, integrava o conselho de administração de uma das empresas do setor que tinha fundo ligado ao banco.
Um ex-sócio da Crédito e Mercado, Eduardo Nakamura, que assinou contratos com o Iprem-Posse, deixou a sociedade em 2021. Ele afirmou que atuava apenas na área administrativa e de recursos humanos, sem envolvimento na consultoria técnica.
Nakamura é alvo de pedido de convocação na CPI das Pirâmides Financeiras da Alesp. Em 2013, quando a empresa ainda se chamava Plena, prestou consultoria ao Instituto de Previdência de Paulínia (PauliPrev) e teve contas recusadas pelo Tribunal de Contas do Estado. Na época, auditor do TCE citou reportagens que ligavam a Plena a “uma quadrilha criminosa que fraudava os Regimes Próprios de Previdência Social”, incluindo aporte de R$ 16 milhões no fundo imobiliário Golden Tulip, ligado a um empreendimento hoteleiro de Daniel Vorcaro em Belo Horizonte.
Com informações do portal Metrópoles.