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MPF pede abertura de inquérito para investigar vereadora Eliza Virgínia por transfobia
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O Ministério Público Federal (MPF) requereu à 16ª Vara Federal da Paraíba a instauração de inquérito policial para apurar a suposta prática do crime de transfobia (equiparado ao racismo pela Lei nº 7.716/1989) pela vereadora Eliza Virgínia (PP).

MPF baseou o pedido em discurso proferido pela vereadora na tribuna da CMJP e em publicações feitas em suas redes sociais contra a deputada federal Erika Hilton (Foto: Divulgação/CMJP)

A representação criminal foi apresentada pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). O MPF, por meio do procurador da República José Godoy Bezerra de Souza, baseou o pedido em discurso proferido pela vereadora na tribuna da Câmara Municipal de João Pessoa e em publicações feitas em suas redes sociais (Instagram) contra a deputada federal Erika Hilton.

Entre as declarações destacadas, a investigada afirmou que “Mulher trans não é igual a mulher” e utilizou termos que reduzem a identidade de gênero a características genitais, questionando se poderia chamar a parlamentar de “pessoa que tem um pênis ou de pessoa que ejacula”.

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O Supremo Tribunal Federal, nos julgamentos da ADO 26 e do MI 4733, firmou o entendimento de que a homofobia e a transfobia constituem modalidades de racismo e devem ser enquadradas nos tipos penais da Lei nº 7.716/1989. No caso concreto, as falas, em tese, caracterizam a conduta de praticar e incitar a discriminação ou preconceito (Art. 20 da referida lei).

A competência federal é justificada pela potencial transnacionalidade do conteúdo, uma vez que foi amplamente divulgado em rede social de alcance global (Instagram), transcendendo as fronteiras nacionais.

Para elucidar os fatos e angariar elementos de autoria e materialidade, o MPF requereu à Polícia Federal as seguintes diligências:

  1. Identificação e preservação técnica do vídeo mencionado na notícia-crime, inclusive com o registro da URL (link) e metadados da postagem original no Instagram.
  2. Elaboração de auto de degravação da íntegra do discurso proferido pela investigada na tribuna da Câmara Municipal de João Pessoa na data dos fatos.
  3. Intimação da vereadora Eliza Virgínia para prestar esclarecimentos sobre o teor e a motivação de suas declarações.
  4. Solicitação da cópia oficial das notas taquigráficas e da gravação audiovisual da sessão ordinária do dia 12 de março de 2026.

O processo tramita sob o número 0009846-92.2026.4.05.8200 e não corre em segredo de justiça.

O documento foi assinado eletronicamente pelo procurador José Godoy Bezerra de Souza em 04/05/2026. Confira na íntegra a seguir:

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