O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (3) que o governo brasileiro não pode aceitar o tratamento dispensado pelos Estados Unidos ao país na última semana. Durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, Lula criticou duramente o que classificou como interesses “mesquinhos” e “rasteiros” de uma disputa eleitoral que, segundo ele, estariam levando algumas pessoas a “trair o Brasil”.

Sem citar nomes, o presidente disse que há brasileiros fomentando a briga com os EUA na expectativa de prejudicar uma candidatura à Presidência. “Estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos, interesses rasteiros, de uma disputa eleitoral. E não há disputa eleitoral, em qualquer país do mundo, que possa dar valor a alguém que trai a pátria. Alguém capaz de vender o seu país por interesses mesquinhos deles”, afirmou Lula.
Ele completou: “O que é mais triste, é que tem brasileiros — que eu não vou citar nomes aqui — brasileiros fomentando essa briga, na perspectiva de que se ele taxar a gente ele vai prejudicar uma candidatura à Presidência da República. Mas, o que um imbecil desses não percebe é que quem é prejudicado é o povo, não o Lula”.
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Lula também disse que o Brasil não pode ser tratado como uma “republiqueta insignificante”. “A nossa luta é para que esse país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta insignificante. Nós temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil nesta semana. Não é possível”, declarou.
O presidente afirmou ainda que o Brasil nunca se negou a negociar com os Estados Unidos sobre tarifas comerciais. “Este país não adotará mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Nós queremos respeitar todo mundo, mas nós também queremos respeito”, disse.
Lula revelou que ficou sabendo da proposta de novas tarifas por meio das redes sociais e que foi pego de surpresa. “É uma taxação substanciada com base em inverdades. Porque o déficit que os EUA dizem que têm com o Brasil, é o Brasil que tem com eles. Portanto, se alguém tivesse que fazer uma taxação, é o Brasil contra os EUA, não os EUA contra o Brasil”, declarou.
Ele voltou a criticar o secretário de Estado americano, Marco Rubio, chamando-o de “antiamérica” e “latinoamericano frustrado”. Lula disse que vai buscar Donald Trump para tratar das questões tarifárias.
Na reunião, o presidente comemorou a decisão da China de reconhecer o Brasil como país livre da febre aftosa, o que viabiliza a exportação de carne brasileira ao país asiático. “Foi a melhor resposta aos Estados Unidos. No dia que anunciaram a taxação, a China anunciou o reconhecimento do Brasil livre de febre aftosa. Então, a carne brasileira está liberada para chineses”, celebrou.
Com informações do portal g1.