A operação deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (18), que colocou o senador Jaques Wagner (PT-BA) como alvo no âmbito das investigações do caso Banco Master, intensificou a pressão interna no governo e no PT pela renúncia dele ao cargo de líder do governo no Senado. Nos bastidores, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendem que Wagner deixe a função estratégica para se dedicar à própria defesa e evitar que o desgaste político respingue no Planalto.

Parlamentares e integrantes do governo avaliam que a permanência de Wagner na liderança pode ampliar o prejuízo político para Lula, especialmente em um momento de tensão com o Congresso. Entre os nomes cotados para substituí-lo está o ministro Camilo Santana, da Educação.
A pressão não se limita aos corredores do poder. Nas redes sociais, especialmente no X (antigo Twitter) e no Instagram, cresce a cobrança pública pela saída imediata de Wagner do posto. Usuários e perfis identificados com a base petista ou com a oposição questionam a continuidade dele na função e cobram posicionamento mais claro da direção nacional do PT. Parte das publicações associa o caso ao desgaste da imagem do partido e cobra que Wagner se afaste para “preservar o governo”.
Oficialmente, o PT tem saído em defesa de Wagner. O presidente nacional da sigla, Edinho Silva, divulgou nota afirmando que o senador é “depositário de toda a nossa confiança” e que o partido acredita que ele esclarecerá os fatos, comprovando sua inocência. Wagner, por sua vez, negou irregularidades e afirmou, em entrevista, que não pretende renunciar ao cargo, após ter conversado com Lula sobre o assunto.
Apesar da defesa pública, interlocutores do Planalto e da bancada petista admitem reservadamente que o afastamento seria a melhor estratégia para isolar o caso e impedir que ele contamine a pré-candidatura de Lula à reeleição em 2026. A operação da PF contra Wagner é a nona fase da Operação Compliance Zero e investiga supostas vantagens indevidas recebidas pelo senador em troca de atuação política favorável ao Banco Master.
Até o momento, não há manifestação oficial do Palácio do Planalto ou da direção do PT determinando a saída de Wagner. A decisão, segundo relatos de bastidores, deve ser tomada após avaliação conjunta entre o presidente Lula e o próprio senador.