
O namoro entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a cloroquina pode até estar abalado, mas não acabou. É falsa a informação de que ele teria apagado de suas redes sociais digitais todas as fotos em que exibe o remédio usado para tratar malária, mas que o governo federal indica no tratamento da covid-19 sem que haja comprovação científica de sua eficácia no combate à doença. O burburinho sobre o fim do relacionamento entre os dois surgiu na terça-feira (19), quando diversas pessoas denunciaram no Twitter que o presidente teria começado a apagar suas fotos com a cloroquina. Os deputados Rogério Correia (PT-MG) e Alexandre Padilha (PT-SP) reforçaram a denúncia.
Atenção, urgente: Bolsonaro e Carluxo estão apagando das redes todas as fotos com cloroquina. Se você bolsominion também falou bobagem sobre a cloroquina, faça o mesmo em sua própria rede. Corre! Será que dá tempo? pic.twitter.com/4hdOalwCj3
— Rogério Correia (@RogerioCorreia_) January 19, 2021
E o Bolsonaro apagando posts de suas redes com fotos propagando cloroquina até outro dia? Ele acha que a população vai esquecer das mentiras contadas pelo governo? Todo mundo sabe que sua política é a de mentira e a de morte. Jamais esqueceremos, especialmente nas urnas em 2022.
— Alexandre Padilha (@padilhando) January 19, 2021
Ontem, Rogério Correia disse em seu perfil no Twitter que protocolou a denúncia na CPI da Cloroquina:
Carluxo tá apagando as imagens em que seu pai Jair faz propaganda da cloroquina. Governo gastou milhões em dinheiro público em um medicamento sem eficácia que agora está encalhado. Protocolei pedido da CPI da Cloroquina. Por que o governo tem tanto medo? Tem coisa aí… pic.twitter.com/UASENRLYCs
— Rogério Correia (@RogerioCorreia_) January 20, 2021
A agência de verificação Aos Fatos identificou como fake a notícia de que Bolsonaro teria apagado todas as fotos com a cloroquina. No entanto, não há confirmação de que ele não tenha excluído algumas das imagens.
A crise política do governo com a cloroquina começou desde a aprovação da vacina CoronaVac pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A primeira vacina contra covid-19 usada no Brasil é produzida no Instituto Butantan e representou uma grande vitória política para o governador de São Paulo, João Doria, que viabilizou o projeto. Na aprovação, o corpo técnico da Anvisa chegou a ressaltar a inexistência de qualquer medicamento eficaz contra covid-19. Desde então, o governo federal tem adotado uma postura diferente a respeito do que chamavam de “tratamento precoce”. O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, chegou a mentir sobre a mudança na política de Estado. Tanto Bolsonaro quanto o Ministério da Saúde tiveram publicações identificadas no Twitter como supostamente enganosas ou potencialmente prejudiciais. O presidente também diminuiu a frequência de suas publicações em defesa do tratamento precoce com a cloroquina.
Se eu disse aqui no blog que o namoro havia acabado, faço questão de corrigir. Na linguagem imagética construída para as redes sociais, o relacionamento entre os dois está desgastado. Não aparecem juntos com a mesma frequência de antes. O amor pode ter esfriado, mas continuam firmes. Abaixo, um foto no perfil do presidente, ainda no ar.
– RT-PCR para Sars-Cov 2: negativo.
— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) July 25, 2020
– BOM DIA A TODOS. pic.twitter.com/CkdV59yGXP