Jornalista, fotógrafo e consultor. Mestre em Computação, Comunicação e Artes pela UFPB. Escreve desde poemas a ensaios sobre política. É editor no Termômetro da Política e autor do livro infantil "O burrinho e a troca dos brinquedos". Twitter: @gesteira.
Jornalista, fotógrafo e consultor. Mestre em Computação, Comunicação e Artes pela UFPB. Escreve desde poemas a ensaios sobre política. É editor no Termômetro da Política e autor do livro infantil "O burrinho e a troca dos brinquedos". Twitter: @gesteira.
Virgínio Jr.
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Virgínia Fonseca e Vini Jr.
Virgínia Fonseca e Vini Jr. (Foto: Reprodução/Instagram)

A teoria de que o lobby promovido pelos jogadores da Seleção Brasileira em favor da convocação de Neymar para a Copa do Mundo com o objetivo de que as eventuais críticas sobre o desempenho esportivo ficassem concentradas sobre ele faz total sentido. Não há como provar que este era o motivo do pedido, é possível que tenha sido por consideração, amizade, gratidão, respeito, ou até porque o craque do Santos realmente impunha alguma liderança sobre o elenco. Seja lá qual for a principal motivação, de fato aconteceu. Com seu poder de atrair a mídia para tudo o que faz, Neymar reuniu em torno de si as pancadas. Pouco foi dito sobre a forma física de Casemiro nas primeiras partidas, por exemplo. Tudo era sobre Neymar, como treinava, seu condicionamento, suas limitações.

Mas um ponto que talvez também tenha sido considerado e ficou em segundo plano foi o extracampo. Não que Neymar tenha sido menos mencionado por suas atividades fora do ambiente de treinos da Seleção. De cortes de cabelo a compras de relógios, tudo o que o camisa dez fazia era registrado e rapidamente ganhava potencial viral em todas as mídias. Porém, da mesma forma que a atenção sobre a parte física dos atletas fora desviada em decorrência da presença de Neymar junto ao elenco, o mesmo aconteceu com tudo o que diz respeito aos fatores extracampo.

Maior exemplo disso é a associação das imagens pessoais dos jogadores às plataformas de apostas esportivas, as chamadas bets, por meio de publicidade. Neymar foi o primeiro a fazer. O jogador estava com tudo pronto, aguardando ser confirmado e, logo que anunciada a sua convocação, Neymar sapecou logo dois anunciantes nos stories de sua principal rede social digital. A partir daí Neymar ficou sendo identificado ao longo de toda a competição como o jogador que faz propaganda de bet. É verdade, ele fez e faz, mas a má fama recaiu com sobrepeso, como se ele fosse o único a fazer isso.

Por outro lado, o verdadeiro craque do time, Vinícius Jr, era o rosto mais reproduzido por bets que anunciavam nos intervalos das partidas, assim como na grade da programação. Havia até variações sobre o mesmo, para não cansar o espectador. Vini Jr era o básico, mas teve também Vini Sênior, que de forma cretina dava um quê de confiabilidade à atividade.

Vini Jr também entrou na Copa do Mundo escondendo que havia reatado seu romance com Virgínia Fonseca. Por quê fez isso? Para preservar a imagem do casal? Ela é uma figura pública, mas não artista, atriz, cantora, como são tantas cônjuges de jogadores. Virgínia é blogueira, e não uma blogueira qualquer. É a maior influenciadora de casas de apostas esportivas do Brasil. Já chegou a ser convocada a depor pela CPI das Bets no Senado Federal. Nesta semana foi condenada pela Justiça do Distrito Federal a apagar publicidade de bets em seu perfil e se comprometer com a linha de conteúdo para não induzir seus seguidores ao erro.

Vini Jr e Neymar não saíram campeões desta Copa, mas a imagem de cada um ficou manchada em intensidade desproporcional.

Neymar apanhou muito por seu pouco desempenho apresentado e pelo péssimo comportamento na partida da eliminação contra a Noruega, ou seja, justiça feita e nenhuma novidade, pois o que se esperava dele era isso, mesmo que estivéssemos torcendo por coisa melhor.

Mas Vini Jr, gigante por uma luta antirracista sem precedentes, com sucesso consolidado, podre de rico, não precisava virar garoto-propaganda de bets. Se sua namorada tem isso como atividade principal, deixa ela, ele poderia amar e separar as coisas. Não precisava entrar junto e fazer disso meio de vida. Embora não ofusque seu futebol, apaga um pouco o brilho do ídolo. Na internet, já tem quem chame ele de namorado da Virgínia, WePinko e Virgínio Jr. O apelido pegou.

Texto publicado originalmente na edição de 24.07.2026 do jornal A União.

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