
O governador Lucas Ribeiro (PP) é o único dos três postulantes a disputar o Governo da Paraíba nas eleições deste ano que ainda pode apresentar alguma surpresa a ponto de mexer no jogo político. Isso porque os outros dois concorrentes, Cícero Lucena (MDB) e Efraim Filho (PL) já definiram seus candidatos a vice-governador: respectivamente Diogo Cunha Lima, filho de Cássio Cunha Lima, e Nayana Pontes, esposa do deputado federal Cabo Gilberto (PL).
É muito fácil ser engenheiro de obra pronta e analisar os erros somente depois que as decisões políticas são anunciadas. Por isso fiz questão de registrar aqui, horas antes da convenção que revelará a chapa completa de Lucas, as possíveis complicações advindas de erros e acertos na composição.
Editorial publicado ontem pelo Termômetro da Política mostra acertadamente que nomes como dos deputados Adriano Galdino e Wilson Filho, ambos do Republicanos, em nada acrescentam. Digo que o mesmo vale para Rafaela Camaraense (PDT), que também está de olho na vaga de vice. Apesar de trazer um equilíbrio de gênero positivo à chapa, Rafaela foi alçada à política a partir do empurrão familiar de seu pai, o ex-prefeito de Cuité, Charles Camaraense. O que diferencia Rafaela na chapa de Lucas e Diogo na chapa de Cícero? De início, o gênero e o peso de suas oligarquias.
Um ponto que considero crucial neste momento da corrida eleitoral não é a largada, mas os problemas que a escolha do vice podem trazer para o segundo turno. E a equipe de Lucas deve estar considerando, sim, este peso.
No caso de uma chapa genérica, seja com Adriano, Wilsinho ou Rafaela, a narrativa do adversário é muito mais fácil de ser construída, pois estão em pé de igualdade, na mesma situação das chapas deles, com vices que somam pouco ou quase nada.
Agora vejam o cenário de Lucas indo para o segundo turno, seja contra Cícero ou Efraim, é muito improvável que um dos derrotados decida juntar forças à chapa governista. A melhor situação para Lucas seria a neutralidade do opositor que ficar de fora, pois os eleitores se dispersam e podem ser cooptados por uma ou outra candidatura. mas no caso de uma composição contrária, o enfrentamento tende a ser desastroso.
A única opção que pode vir a somar na chapa de Lucas é uma escolha à esquerda, com histórico político real e próprio no campo progressista, e que possa abrir os caminhos para um palanque confortável com o presidente Lula. Há ainda o vácuo deixado por Olímpio Rocha, que vinha arregimentando eleitores com base em suas opiniões firmes e não sairá candidato. E os números de Lula na Paraíba não enganam, são quase 70% dos votos válidos a favor do presidente no estado.
A escolha para Lucas não está tão difícil assim.