Jornalista, fotógrafo e consultor. Mestre em Computação, Comunicação e Artes pela UFPB. Escreve desde poemas a ensaios sobre política. É editor no Termômetro da Política e autor do livro infantil "O burrinho e a troca dos brinquedos". Twitter: @gesteira.
Jornalista, fotógrafo e consultor. Mestre em Computação, Comunicação e Artes pela UFPB. Escreve desde poemas a ensaios sobre política. É editor no Termômetro da Política e autor do livro infantil "O burrinho e a troca dos brinquedos". Twitter: @gesteira.
Sem Lula na chapa, Lucas pode ser atropelado no segundo turno
Compartilhe:
Presidente estadual do PT, deputada Cida Ramos, e o governador Lucas Ribeiro
Presidente estadual do PT, deputada Cida Ramos, e o governador Lucas Ribeiro (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Não é segredo para ninguém no meio político paraibano que a equipe do governador Lucas Ribeiro (PP) trabalha para resolver a eleição ao Governo da Paraíba ainda no primeiro turno. Missão quase impossível, mas nem tanto, ainda mais agora, com um candidato a menos na disputa depois que Olímpio Rocha foi rifado pelo seu próprio partido, o PSOL. Para Lucas vencer a parada, precisa de 50% dos votos mais um.

Cícero Lucena (MDB) e Efraim Filho (PL) trabalham para impedir esta empreitada do candidato à reeleição, principalmente por saberem que em caso de segundo turno, uma nova eleição acontece. Especialmente no caso das eleições deste ano, a conjuntura política aponta para um caminho muito tortuoso a ser enfrentado por Lucas Ribeiro. Cantei essa pedra aqui, na semana passada, e como estão prestes a anunciar quem será o vice, aproveito para vir antes em vez de ser o engenheiro de obra pronta.

Até bem pouco tempo atrás, Cícero e Lucas compunham o mesmo grupo político. Há cerca de um ano, durante reunião na Granja do Governador, o deputado estadual João Gonçalves (PP) disse ao grupo que se estivessem unidos na eleição, não teria para ninguém. Ele estava certo, mas havia pouco espaço na chapa majoritária para atender a todos. Na divisão, alguém sairá perdendo. E este é o ponto de maior alerta na conjuntura: é difícil recompor no segundo turno. Assim, seja contra Cícero ou Efraim, a tendência é de união natural do voto das oposições contra Lucas. Sem contar que a perspectiva de vitória também muda o jogo das adesões de prefeitos e lideranças pelo interior do estado. Caminho fácil, mesmo, seria se tivessem dado ouvidos a João Gonçalves.

Agora, sem jeito para reunir, só há um caminho para Lucas Ribeiro conseguir impor uma distância maior para os adversários, seja ampliando já no primeiro turno ou garantindo um segundo turno mais seguro: colocar Lula no palanque.

A popularidade do presidente Lula na Paraíba passa da maioria do eleitorado com sobra. Quem cola em Lula, tende a vencer. Mas não basta falar de Lula, pedir voto, “dois L”. Nada disso adianta se a chapa não tiver a cara do presidente Lula. Por mais que pessoalmente eu admire a trajetória do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Adriano Galdino (Republicanos), não é um político tradicional que fará o palanque tornar-se lulista, mesmo com sua defesa enfática a Lula.

Para receber o presidente Lula no palanque e colher todos os frutos disso, seria preciso colocar alguém com a devida estatura política, história própria no campo progressista e em defesa das políticas implementadas pelo Partido dos Trabalhadores. O único nome possível, hoje, na Paraíba, é o da deputada e presidente da legenda, Cida Ramos.

Enquanto o vice não for anunciado, ainda há tempo para o estafe de Lucas considerar estrategicamente qual caminho preferem percorrer na campanha, se vão pelo alto risco, podendo colocar tudo a perder, ou acolher o PT na chapa e resolver a situação.

Compartilhe: