A Justiça de São Paulo determinou nesta sexta-feira (31) a prisão preventiva do policial militar Bruno Carvalho do Prado. A decisão da juíza Luiza Torggler Silva, da 4ª Vara do Júri, atende a pedido da família do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, morto a tiros em abordagem policial em 2024, e conta com parecer favorável do Ministério Público.

O magistrado considerou que investigações em andamento na 1ª Vara de Violência Doméstica de Santo Amaro, envolvendo supostas ameaças e lesões corporais praticadas por Bruno contra a própria esposa, somadas à gravidade da acusação de homicídio, configuram risco à ordem pública e demonstram periculosidade social. A ordem prevê a expedição imediata do mandado e a apreensão de armas de fogo em posse do PM.
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O requerimento foi apresentado pelos advogados da família na terça-feira (28). Na petição, a defesa alega descumprimento das condições impostas para que o policial respondesse em liberdade e sustenta que as cautelares anteriores se revelaram insuficientes.
Segundo o documento, a esposa de Bruno relatou à polícia ameaças de morte repetidas ao longo dos últimos dois anos. O boletim de ocorrência reproduzido na peça afirma que o marido dizia que iria matá-la e “colocá-la no caixão e mandar para o Ceará”.
Ela também contou que, em discussão ocorrida em abril deste ano, após pedir a separação, foi segurada pelo braço, sofreu hematomas e deixou a residência com medo. De acordo com o relato, a mulher acionou a Polícia Militar quando Bruno se dirigiu ao quarto onde costumava guardar seu armamento.
Em fevereiro, a Justiça já havia decidido que Bruno e o colega Guilherme Augusto Macedo irão a júri popular, com data ainda a ser marcada. Ambos respondiam em liberdade pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe e com recurso que dificulta a defesa da vítima. Três pedidos anteriores de prisão preventiva formulados pela família não tinham sido acolhidos.
O estudante foi morto com um tiro à queima-roupa na madrugada de 20 de outubro de 2024, na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo. O episódio começou quando Marco Aurélio deu um tapa no retrovisor de uma viatura que transitava pela Rua Cubatão e correu para o interior de um hotel onde estava hospedado com uma amiga. No carro policial estavam Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado.
Os dois militares desceram e seguiram o jovem até o saguão. Nas imagens, Guilherme aponta o revólver e grita “você vai tomar” enquanto tenta puxá-lo pelo braço. Em seguida, Bruno chuta o estudante, que reage segurando o pé do policial e cai ao chão. Logo depois, Guilherme dispara à queima-roupa, atingindo o abdômen da vítima.
Marco Aurélio foi encaminhado ao Hospital Ipiranga, mas não resistiu. A unidade encontrava-se superlotada e sem equipamento de tomografia, conforme registrado na ficha de atendimento médico.