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Estudante descreve clima hostil em faculdade de Medicina após ataques a bolsistas e referências nazistas
Termômetro da Política
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Um estudante da UniCesumar, em Maringá, no Norte do Paraná, relatou que tanto os universitários que enviaram ofensas quanto os alvos das mensagens deixaram de frequentar a instituição desde que o caso ganhou repercussão. “É um clima hostil na faculdade, um clima hostil nos grupos, que vai muito além de divergências políticas. Parece que o contexto da eleição foi apenas um pretexto para eles extravasarem o ódio às pessoas mais pobres”, disse o aluno, que preferiu não ser identificado.

Ataques começaram por meio de mensagens em grupos de WhatsApp
Ataques começaram por meio de mensagens em grupos de WhatsApp (Imagem: Reprodução)

As mensagens circularam em um grupo da turma no domingo (25), após o resultado das Eleições de 2026, em que Lula foi reeleito presidente do Brasil. Em uma delas, um estudante sugere superioridade em relação aos bolsistas ao comparar quem paga a mensalidade com quem conquistou a vaga por seleção acadêmica de programas sociais. “Quem paga trabalhou e tem 15 mil [reais] por mês para pagar >>>>>>> Quem passou numa provinha”, escreveu um outro estudante.

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Imagens e expressões associadas ao nazismo também foram compartilhadas. Em uma das mensagens, um estudante enviou a foto do exército nazista acompanhada de referências ao “leite cru”, expressão que se tornou comum entre grupos na internet que defendem a supremacia branca. Outra aluna criticou as ofensas e ressaltou que todos terão a mesma formação, independentemente da forma de ingresso. “Virou bonito ofender quem não tem dinheiro para pagar toda a mensalidade, como vocês? Todo mundo aqui vai sair com CRM [registro profissional para exercer a medicina]”, disse.

O g1 optou por não identificar os alunos, uma vez que o caso ainda está sendo investigado pelos órgãos responsáveis e pode envolver menores de idade. Alunos da instituição abriram uma denúncia no Ministério Público Federal (MPF). O órgão confirmou ter recebido a denúncia sobre as mensagens e disse que apura o caso.

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A UniCesumar informou que concluiu no dia 30 de outubro a Sindicância Interna aberta para apuração dos fatos envolvendo mensagens trocadas em grupo de WhatsApp por alunos da Instituição. A Comissão de Sindicância recomendou e a Reitoria da Unicesumar decidiu pela aplicação de medidas disciplinares em relação aos alunos envolvidos, nos termos do Regimento Interno da universidade. As medidas disciplinares foram: desligamentos do quadro discente da Instituição, advertências e suspensões, de acordo com a gravidade de cada conduta apurada. A universidade respondeu que não vai informar quantos estudantes receberam cada uma das punições. Em nota, a instituição também disse repudiar “veementemente qualquer forma de discriminação ou preconceito”. A UniCesumar reafirma seu compromisso com a ética, a responsabilidade, o respeito à vida e os valores que orientam a formação de seus estudantes. O Núcleo de Apoio ao Estudante de Medicina (NAEME) permanece à disposição dos alunos para oferecer acolhimento, orientação e suporte, nos contatos (44) 99122-3957 ou (44) 3027-6360 ramal 2870. As trocas de mensagens não aconteceram nos canais oficiais da universidade.

O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) informou que vai acompanhar o caso e “adotará todas as providências cabíveis”. Segundo o CRM, “Tais atitudes ferem diretamente os princípios fundamentais do Código de Ética do Estudante de Medicina, segundo os quais o estudante deve estar a serviço da saúde do ser humano e da coletividade, exercendo suas atividades sem discriminação de qualquer natureza. A escolha pela Medicina exige compromissos humanísticos e humanitários, pautados pela promoção do bem-estar físico, mental e social dos indivíduos e da coletividade. Atitudes discriminatórias são incompatíveis com esses valores e não devem ser toleradas no ambiente de formação médica. O CRM-PR adotará todas as providências cabíveis no âmbito de suas atribuições institucionais e acompanhará o desdobramento do caso, contribuindo para que haja uma apuração rigorosa e transparente dos fatos pelas instâncias competentes”.

Com informações do portal g1.

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