Política - -
Crise no STF prejudica julgamentos de interesse dos trabalhadores
Termômetro da Política
Compartilhe:

A briga no Supremo Tribunal Federal (STF) em torno dos ministros Alexandre de Moraes, André Mendonça e o Banco Master empurrou para a fila temas de peso econômico: pejotização, uberização, a reforma da Previdência de 2019 — com efeito no déficit do INSS — e direito tributário. Especialistas veem insegurança jurídica crescente e apostam que as pautas trabalhista e previdenciária de maior alcance não saem antes da eleição e podem ficar para 2027.

Representantes dos entregadores demonstraram insatisfação com as medidas, argumentando que não atendem às principais demandas da categoria
Representantes dos entregadores demonstraram insatisfação com as medidas, argumentando que não atendem às principais demandas da categoria (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

Olívia Pasqualeto, da FGV Direito SP, diz que a crise come espaço de definições urgentes. Pejotização e apps pedem cautela pelo impacto social e econômico. A contratação via PJ, para ela, é ainda mais central: atravessa setores, mexe em direito do trabalhador, na Previdência e na proteção social, e atinge tanto empresa quanto quem fatura como pessoa jurídica. Prefere o julgamento com o país menos inflamado pelas atitudes da Corte, embora o debate já tenha andado o bastante.

“É um tema que vem sendo discutido há mais de um ano. Os processos foram suspensos, depois, em junho deste ano, parte da suspensão foi retirada. É um tema que exige cautela, e é urgente dar uma resposta à sociedade. Mas é de tamanha seriedade, não pode ser julgado de forma rápida”.

Favorite o Termômetro da Política no Google e acompanhe as notícias mais importantes para o seu dia

O tema 1.291, da uberização, escorregou duas vezes neste ano. Pautado em junho, Edson Fachin, relator e presidente do STF, adiou para absorver a convenção 193 da OIT. Voltou em 27 de agosto e saiu sem aviso no mesmo dia em que a PF entregou a Mendonça o relatório do Master. A ação ganhou fôlego em 2023, antes do projeto do governo Lula sobre apps, depois perdeu ritmo, mas segue entre as mais importantes do trabalho no Supremo. Sem lei e sem acórdão, a insegurança se arrasta. “O fato é que nada aconteceu, nem foi regulado, nem foi julgado”.

Olívia alerta ainda para o recorte de gênero: PJ pode tirar estabilidade da gestante e igualdade salarial. “PJ não tem gênero”.

Rômulo Saraiva, advogado, aponta filas previdenciárias paradas há anos. A demora em causas de grande impacto, diz, fere o Judiciário como serviço público quando outras questões sobem na prioridade.

Leia também
Relator aponta “simbiose” entre presidente da Câmara de João Pessoa e facção criminosa

Adriane Bramante, da comissão previdenciária da OAB-SP e do IBDP, lista 13 ADIs da reforma de 2019, além de aposentadoria especial e contribuição de autônomo. A ADI 6.309, sobre idade mínima na especial após a reforma, teve a idade declarada inconstitucional em junho, mas a tese não foi publicada — o debate não fecha. No tema 1.209, vigilantes perderam a especial; embargos de declaração seguem sem pauta. O tema 1.329, com repercussão geral, discute se autônomo pode complementar contribuição para entrar em regra de transição mais vantajosa da reforma e ainda não foi julgado.

Nesta quarta-feira (16) está uma ação ainda sob relatoria de Rosa Weber, aposentada em 2023: reajuste de plano de saúde de idosos contratado antes do Estatuto do Idoso. Olívia avalia que não é hora de grandes temas. Qualquer placar no meio da crise, diz, pode agravar a imagem da Corte em matérias que tocam trabalhador, empresa e o Estado.

Com informações da Folha de S.Paulo.

Compartilhe: