
A década era 1960, o país era a Inglaterra e o comprimento das saias ficava cada vez menor. Não se tratava de apenas uma tendência de moda, mas de um protesto, um grito por liberdade feminina. Ali, surgia um dos símbolos da juventude que questionava as convenções. Era uma afronta… uma minissaia era, no mínimo, inadequada para a convivência em sociedade.
Logo, a peça dominou os vários corpos de mulheres que queriam reivindicar o que estava posto e ocupar cada vez mais o seu espaço por direito. O incômodo provocado pela minissaia não era apenas sobre o comprimento da peça, mas sobre o que ela representava: a proporção do espaço que a mulher ocupava no mundo.
Elas já não aceitavam mais tantas regras sobre os seus corpos. E essa rebeldia chamava atenção justamente porque a mulher era, muitas vezes, reprimida e levada para agir como a sociedade patriarcal esperava que ela agisse. Dessa forma, haveria um “controle” e uma previsibilidade, principalmente no que se refere ao seu comportamento. E o modo de se vestir está diretamente ligado a isso, afinal, como separar as duas coisas?
Basta existir para se manifestar politicamente.
E se a roupa está ali para contribuir com as normas sociais, ela também pode ser usada como uma forma de manifestação.
As expectativas sociais sobre as mulheres não ficaram restritas à Europa. No Brasil, já em 1971, Leila Diniz vivia no Rio de Janeiro e desafiava os olhares mais conservadores. Por aqui, vivíamos uma ditadura e havia muitas expectativas sobre a maternidade e o comportamento da mulher desde a sua gravidez, então aparecer de biquíni na praia mostrando o barrigão de 6 meses ia contra todas as ideias convencionais sobre o comportamento feminino.
Leila era uma mulher livre, que claramente não se importava com as convenções, por isso ela trazia à tona os limites impostos à autonomia feminina. Porque a sociedade sempre esteve lá para opinar, julgar e criar regras sobre o seu corpo. E a história de Leila Diniz ajuda a entender como as expectativas sociais poderiam ter limitado o comportamento feminino.