Jornalista, fotógrafo e consultor. Mestre em Computação, Comunicação e Artes pela UFPB. Escreve desde poemas a ensaios sobre política. É editor no Termômetro da Política e autor do livro infantil "O burrinho e a troca dos brinquedos". Twitter: @gesteira.
Jornalista, fotógrafo e consultor. Mestre em Computação, Comunicação e Artes pela UFPB. Escreve desde poemas a ensaios sobre política. É editor no Termômetro da Política e autor do livro infantil "O burrinho e a troca dos brinquedos". Twitter: @gesteira.
Trabalho!
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(Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Lembro como se fosse hoje daquela aula de História do professor Karamuh Martins, no cursinho preparatório para o vestibular, na qual ele abriu a conversa anunciando que ensinaria o segredo para que qualquer aluno pudesse ser aprovado em qualquer curso, concorrido como fosse, de qualquer universidade do Brasil. A sala inteira ficou atônita com o anúncio. Alguns incrédulos, obviamente, pois se àquela altura da vida conseguir passar no vestibular era o principal objetivo, estávamos então na iminência de conhecer o grande segredo. Quem levou na brincadeira em pouco tempo se aprumou na cadeira para ouvir com atenção, tamanha era a seriedade no rosto do professor. “Quero que vocês trabalhem tanto quanto seus pais”, disse o professor. Ninguém entendeu de imediato, mas à medida que ele prosseguia, fazia total sentido. Era uma época em que professores prometiam cursos e soluções milagrosas, com excesso de aulas, ocupando às vezes três turnos da vida dos estudantes, de segunda a sábado e, ocasionalmente, aos domingos também. Karamuh dizia que não precisava de nada disso, e avançava sobre a explicação acerca do trabalho dos pais. “Os pais de vocês, em sua maioria, trabalham oito horas por dia. É só disso que vocês precisam: oito horas de estudos por dia. Do jeito que seus pais dedicam essa quantidade de horas para o trabalho, vocês também dedicarão aos estudos como se fosse um trabalho”. Na proposta ele incluía o tempo que passávamos lá. Assim bastava dedicar três horas de estudos em casa, sem nunca faltar. No fim do ano, quem seguiu a orientação se deu bem. 

Hoje, após assistir ao jogo de estreia do Brasil na Copa do Mundo 2026, a primeira impressão que tenho é que a maioria daqueles jogadores não dedica o mínimo de oito horas ao próprio trabalho, como grande parte dos brasileiros no regime CLT. Quando falo em dedicar oito horas, não me refiro a treinar oito horas por dia em dois blocos de quatro, com parada no meio para o almoço e pequenas pausas eventuais. Longe disso. Penso em dedicação mesmo, compromisso com a profissão e com os resultados, seja no foco, na dieta, na rotina de sono, o cuidado com todos os elementos que contribuem além do treinamento para o resultado. 

Vemos jogadores de ponta que defendem outras seleções e seus resultados são de dar inveja. Assim como todo atleta responsável, eles chegaram no mundial em sua plenitude. Nos Jogos Olímpicos não é comum ver um atleta fora de forma, e isso vale para todos os esportes. Mas no futebol, parece haver maior flexibilização. Talvez acreditem poder compensar com talento, mas é inegável que mesmo os mais talentosos, se estiverem em boa forma poderão entregar melhores resultados. Lionel Messi, aos 38 anos de idade, é o maior exemplo de todos.

E os brasileiros, estão em forma? Quem assistiu à estreia contra o Marrocos saberá dizer com tranquilidade, sem o peso de cometer uma injustiça. Quanto Casemiro correu em campo? E Lucas Paquetá, foi bem? Sem contar o pífio desempenho do nosso centroavante titular, Igor Thiago, mas o caso dele parece não ser forma física, é falta de bola mesmo.

Dia desses disse numa rede social digital que Casemiro na atual forma física não serve mais nem ao São Paulo, caso quisesse voltar. Quase fui apedrejado, mas um dia depois foi divulgado um dado estatístico apontando o brasileiro como um dos dez jogadores mais lentos de todas as seleções na primeira rodada da Copa do Mundo.

Ainda sobre os jogadores da Seleção Brasileira, é impossível tratar da forma física e não falar de Neymar. Dizem que ele está focado, dedicado como nunca esteve, mas parece o estudante que tira notas baixas o ano inteiro e decide estudar toda a matéria com seriedade para se dar bem na prova final. Sem entrar no mérito da qualidade atual, do Neymar hipotético ou do Neymar que jogou contra o Recoleta e pouco ou nada fez, é importante ressaltar a dedicação do atleta no último ano, sabendo que adiante teria uma Copa do Mundo para enfrentar. Neymar não se dedicou no Santos, isso é fato. A nós, resta torcer para que esse péssimo aluno tenha sorte e se dê bem na prova final.

Texto publicado originalmente na edição de 19.06.2026 do jornal A União.

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